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Um Revólver, Uma Bíblia

Algumas experiências no sertão foram profundamente marcantes, levarei para a eternidade.
Em um belo momento de minha trajetória ministerial e missionária conheci a pessoa e um pouco da história de seu Luiz. A sua caminhada de fé revela a beleza da obra da cruz externada em vidas que acompanhamos na caminhada cristã.
 O irmão Luiz era violento. Um violento calmo, de fala mansa, homem de palavra e que não levava desaforo para casa. Cismado, não gostava de brincadeira. Para ele as coisas se resolviam logo na bala.


Este estilo de ser não é incomum no sertão nordestino. Homens que valorizam a honra, e respeitam mais o revolver que a Bíblia. Era assim que pensava e agia o seu Luiz, morador de uma pequena cidade do sertão paraibano. Não era difícil ameaçar alguém de morte e ser ameaçado, principalmente em sua mocidade. Com este estilo de vida, ele adquiriu muitos inimigos e, alguns, de morte.

Em determinado dia foi pego numa emboscada, levou muitos tiros. Não morreu. Segundo ele, porque era escolhido de Jesus. Depois que seu Luiz se recuperou dos ferimentos, passou a refletir mais sobre a vida, e se valia à pena viver. Foi quando, num belo dia, um crente se aproximou dele e dos demais cabras valentes que estavam reunidos embaixo de um juazeiro e informou acerca de uma reunião na casa de seu Zé Nicolau, no sítio Olho d’Água. Seu Luiz ficou intrigado com a ousadia e segurança daquele crente. Afinal de contas ele e seus companheiros eram famosos pela ignorância e violência. Sem saber exatamente porque, ele disse que ia. E foi. E gostou do que ouviu, passando a frequentar a igreja dos crentes, contudo, só ia armado. Ele não confiava em ninguém, só em seu revólver.



Um dia, na igreja dos crentes, ele se sentiu mal por estar de revólver na cintura. Meditou dentro de si e chegou à conclusão que não era certo estar dentro da casa de Deus armado. Foi para casa, chamou um compadre dele e propôs a venda da arma. O amigo sugeriu uma troca por um terreno, um lote de casa. Seu Luiz concordou e fechou  negócio. Pouco tempo depois ele se converteu de verdade, aceitando a Jesus como salvador e senhor. O irmão Luiz hoje é um homem manso, ainda corajoso, mas, só para pregar o Evangelho. Um evangelista de mão cheia por sinal.



A filha do irmão Luiz casou-se alguns anos depois que Luiz se converteu. Ela disse uma frase que ele não esquece: “Pai que bom que o Senhor trocou o revólver pelo terreno, eu e meu marido temos um lugar para construir a nossa casa. Muito obrigado meu pai”. O Evangelho quando chega de verdade transforma vidas.

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