segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Irmão Elias: de Analfabeto a Teólogo

Sertanejo, pobre, negro, analfabeto... beradeiro*

Depois que ele se converteu, se deu conta de que achava o máximo quando ganhava uma camisa com um rasgo de quase um palmo nas costas. Era nova para ele. Chegava em um barraco de beira de estrada, o chamado pega bêbado e, orgulhosamente pedia uma lapada de cana, afinal de contas estava com uma "nova roupa".

Ao ouvir corinhos com frases como essas "quero que valorize o que você tem (...) O Espírito Santo se move em você", frases de esperança contidas no Evangelho, começou a despertar para uma realidade além da fome e da miséria. Um ano depois que se converteu foi consagrado a diácono. Nunca tinha entrado numa sala de aula, quando lhe davam oportunidade na igreja, solicitava solenemente para abrirem as bíblias numa passagem especifica que já havia memorizado e simulava estar lendo. Poucos anos depois, chegou em sua cidade um seminário diferente dos que já tinha ouvido falar. Aceitava obreiro analfabeto para estudar lá. No início não se enxergou capaz, nem tampouco digno de estar no seminário. Depois de um tempo, sendo cobrados pelos demais irmãos da igreja com perguntas do tipo: "Por que o irmão Elias não estuda no seminário? O senhor não é diácono?"

Ele já tinha 48 anos. A tendência natural nessa faixa etária é se acomodar. Não é incomum ouvir frases como essa: "Já cheguei a essa idade e não mudei, nem evolui, não vai ser agora que eu vou tentar."

Um belo dia, seu Elias visita a casa da coordenadora daquele seminário, a irmã Sueli, para pegar uma cesta básica. A irmã olhando firme para ele disse: "O irmão sabia que Deus pode e quer fazer grandes coisas na sua vida? Que o você pode aprender a ler, pode até estudar no seminário e que ele tem melhores condições de vida para o irmão?" Elias ao ouvir isso foi tomado de uma forte emoção. E veio à sua mente, dias seguidos, por várias vezes aquela frase: "Deus quer fazer grandes coisas em sua vida!" Ele passou a pensar ainda: pobreza, exploração não é natural não. Eu posso melhorar, eu não nasci para a ignorância, eu nasci para viver descentemente.

Demorou ainda um ano e metade de outro para Elias tomar coragem e declarar a irmã Sueli que gostaria de estudar no seminário. Ela perguntou para ele se já sabia ler. Com a sua negativa, propôs para ele entrar inicialmente como ouvinte e fazer um curso de alfabetização. O seminário tinha também uma turma de alfabetização para adultos, ele foi aceito como aluno na condição de aprender a lê. Segundo Elias foi o dia mais feliz de sua vida, o primeiro dia de aula. Estava ali o "beradeiro", analfabeto estudando com um professor da capital.

Elias hoje faz parte da turma concluinte do curso básico em teologia, depende da pensão da esposa, lê razoavelmente bem e tenta escrever, continua socialmente ainda situado abaixo da linha do ideal, mas conquistou uma estrutura em sua alma que não se pode mensurar.

Nós que fazemos o seminário sertanejo da Juvep acreditamos na libertação proporcionada pelo cristianismo para o homem, promovendo-o a condição de cidadão do céu e, portanto já podendo viver numa percepção de dignidade, direito e valorização de si mesmo e do semelhante alicerçado pelo amor de Jesus, já aqui na terra.

*beradeiro - gente ignorante do sítio, os mesmos são discriminados pelos que moram na zona urbana sertaneja. 

Sem Vida Santa? Cuidado, Não Faça Missões


Sem vida santa? Cuidado, não faça missões

Se você quer contribuir com a obra missionária, com ofertas em dinheiro; cuidado. Talvez você não persevere. Aí, quem está no campo vai sofrer com a falta de recursos. Espere. Reveja a sua vida. Se há algo que precisa de concerto, cuidado com a avareza no coração, ela lhe leva àquela motivação de troca e investimento com o "retorno imediato e multiplicado". Aí, talvez, os que se opõem à Missão irão maltratar você. Para contribuir com missões é fundamental uma vida santa.

Se você quer contribuir com a obra missionária orando, intercedendo pelos campos, pelas pessoas, pelos projetos. Cuidado. É necessário intimidade com o Pai. O orar nos aproxima de Deus e a Sua presença nos confronta, revelando as nossas maculas e distorções. Sem o Espírito Santo no comando não existe força para a intercessão.

Os opositores, se encontrarem brechas em sua vida, vão fazer estragos. Eles odeiam a oração. Para orar por missões é preciso não está embaraçado com questões de consumo, de compromisso com dinheiro, não está com amargura no coração, muito menos falta de perdão. Para orar por missões é fundamental uma vida santa.

Se você quer ir fazer missões, sendo voluntário para a Obra; atender o chamado para a Seara. Cuidado. Não vá por emoção, é preciso saber o tempo, o lugar e o que fazer, segundo a vontade do Comandante. Não vá, se você não resolveu o problema do pecado sexual, do pecado social, do pecado familiar, dos problemas de caráter, em sua estrutura, de uma forma geral. Se você for, vai se dar mal. Os opositores à expansão do reino de Deus vão maltratar você, vão confundir você. Você será prejudicado e os danos podem ser graves, tanto para você como para a Obra. Para ir para missões é fundamental uma vida santa.

Para ir, para orar, para contribuir com missões é fundamental uma vida santa. Sem soberba, acepção de pessoas, sem ambição pelo poder, sem superficialismo. Quando me refiro à vida santa não é perfeição, mas o reconhecimento e a confissão de pecados. Assumindo a luta com o pecado ao invés de se auto-justificar ou escondê-lo. É preciso discernir quando é tentação ou opressão, o limite entre desejos carnais e ataques malignos. Tanto um como o outro se vence com disciplina em oração e jejum.
Uma pergunta fundamental: Eu fui liberto das coisas do passado que me afastavam de Deus? A resposta tem de ser exclusivamente "sim". Para se fazer verdadeiramente missões é necessário uma vida santa.

O suicídio do pastor e o cavalo de tróia

Um comentário mordaz e irônico comum nos anos 80: dizia-se que no Brasil não havia necessidade de terremotos, nem vulcões, as catástrofes aqui vinham através dos ministros da área econômica, uma alusão aos desastrosos pacotes que levou a nossa economia ao fundo do poço. Os anos 80 foram considerados a década perdida.

Santos tem tombado no campo missionário brasileiro e não é por causa de perseguição externa. Não existe nenhum local no Brasil onde é proibido evangelizar.

É verdade que ocorrem dificuldades em alcançar algumas tribos, por questões políticas e, ou conflito de percepções, com a FUNAI, e fatos isolados, residuais, que não merecem destaques algum, em regiões como o sertão nordestino, um preconceito ali, outro aqui.

Por muitas décadas não se morre no Brasil por causa de perseguição clara ao evangelho, aliás, morreu-se pouco comparativamente a outras nações.
Como explicar os fatos abaixo relacionados?

Esposa de um pastor enforcou-se no sertão do Nordeste, o marido alegou tristeza profunda por causa da distancia de casa (família) e falta de apoio, ausência de visitas e telefonemas ou mesmo e-mail.

No Nordeste jovem idealista enlouqueceu: Solteiro determinado a servir o Senhor com todas as suas forças. Contribuiu em varias igrejas local, desde lavando banheiro, capinando mato, até pregando a palavra de casa em casa ou em praça pública, expondo o filme Jesus nas pequenas cidades e povoados do Sertão, ficou louco. Antes de surtar ele falava para alguns que não entendia os defeitos, o egoísmo, a agressividade e a cobiça dos líderes por dinheiro e posição. Ele desistiu de tentar entender entregou-se a insanidade. Hoje anda como um homem dos tempos de Jesus (afirma ele), vestido com panos, sem tomar banho e tendo a estrutura das igrejas atuais e seus líderes como Agentes da Escuridão tentando confundir o povo de Deus.

Ainda no Nordeste, missionária, frustrada, por causa do casamento destruído toma veneno de rato. Os médicos não entendem como ela sobreviveu. Depois de ter voltado à ativa, no primeiro dia em que foi a igreja, o pastor, de forma fria e direta, a disciplinou por um ano, afastando-a de sua função (motivo: pecou tentando suicídio). Antes e depois do ocorrido o seu líder nunca lhe fez visita.

No sudeste senhora evangelista, ganhou centenas de vidas para Jesus, enlouquece e, depois de três anos enforca-se na cozinha de sua casa.

Jovem tenta suicídio, no Sul com veneno de rato, passa três dias na UTI e se recupera. Ela alegou tristeza profunda e solidão. Produzia de forma especial para Cristo à frente do louvor da igreja.

Centro Oeste - Brilhante pastor de uma grande cidade enforca-se. Homem de grande capacidade executiva para o reino de Deus foi responsável direta e indiretamente por milhares de vidas alcançadas pelo Evangelho. Entra em processo de depressão e, depois de alguns anos o suicídio. É sabido que a depressão é considerada uma doença e pode ser causada por problemas genéticos também.

Centenas de líderes no Brasil estão no campo tomando remédio controlado, antidepressivos, calmantes, psicotrópicos, dentre outros. Na maioria dos casos, sem problemas, antes da ida a missão.

Muitos deles já estão em hospitais psiquiátricos.

O campo é guerra, o apoio é pífio, é difícil encontrar-se ombro.

A minha constatação não é que as igrejas são omissas ou negligentes em sua grande maioria, mas que falta estrutura espiritual.

Mesmo que queiram exercer a incumbência de apoiar de forma plena os missionários. Não amam o suficiente, não entendem a carência de quem está no campo. A maioria dos responsáveis por missões e plantação de igrejas nunca teve uma experiência de campo, pelo menos de médio prazo. Não entendemos também a complexidade da psique, das emoções humanas e não pedimos ajuda.

Muitos estão decepcionados com a estrutura vigente no geral. Alguns mais maduros e humildes percebem que tanto eles (no campo) como os da base não têm a estrutura mínima para o avanço do Reino muito menos em enfrentar este obstáculo de cunho mental.

Conheço vários que querem regressar do campo e voltarem a ser comerciantes, bancários, comerciários, advogados...

Não estou falando de pessoas medrosas, negligentes, estamos falando de apaixonados por Jesus que podem dar a vida por Ele; de estruturas frágeis que não apóiam como deveriam seus profetas, missionários, evangelistas.

Estou falando de uma tragédia, na qual temos perdido valores especiais, a maioria no auge da idade de produção para Cristo.

A nossa maior luta no Brasil não é externa, é interna. “Aceitamos o Cavalo de Tróia dado pelo gregos”. Não há necessidade de inimigos externos. Ele já adentrou as muralhas e estar nos destruindo.