segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

O suicídio do pastor e o cavalo de tróia

Um comentário mordaz e irônico comum nos anos 80: dizia-se que no Brasil não havia necessidade de terremotos, nem vulcões, as catástrofes aqui vinham através dos ministros da área econômica, uma alusão aos desastrosos pacotes que levou a nossa economia ao fundo do poço. Os anos 80 foram considerados a década perdida.

Santos tem tombado no campo missionário brasileiro e não é por causa de perseguição externa. Não existe nenhum local no Brasil onde é proibido evangelizar.

É verdade que ocorrem dificuldades em alcançar algumas tribos, por questões políticas e, ou conflito de percepções, com a FUNAI, e fatos isolados, residuais, que não merecem destaques algum, em regiões como o sertão nordestino, um preconceito ali, outro aqui.

Por muitas décadas não se morre no Brasil por causa de perseguição clara ao evangelho, aliás, morreu-se pouco comparativamente a outras nações.
Como explicar os fatos abaixo relacionados?

Esposa de um pastor enforcou-se no sertão do Nordeste, o marido alegou tristeza profunda por causa da distancia de casa (família) e falta de apoio, ausência de visitas e telefonemas ou mesmo e-mail.

No Nordeste jovem idealista enlouqueceu: Solteiro determinado a servir o Senhor com todas as suas forças. Contribuiu em varias igrejas local, desde lavando banheiro, capinando mato, até pregando a palavra de casa em casa ou em praça pública, expondo o filme Jesus nas pequenas cidades e povoados do Sertão, ficou louco. Antes de surtar ele falava para alguns que não entendia os defeitos, o egoísmo, a agressividade e a cobiça dos líderes por dinheiro e posição. Ele desistiu de tentar entender entregou-se a insanidade. Hoje anda como um homem dos tempos de Jesus (afirma ele), vestido com panos, sem tomar banho e tendo a estrutura das igrejas atuais e seus líderes como Agentes da Escuridão tentando confundir o povo de Deus.

Ainda no Nordeste, missionária, frustrada, por causa do casamento destruído toma veneno de rato. Os médicos não entendem como ela sobreviveu. Depois de ter voltado à ativa, no primeiro dia em que foi a igreja, o pastor, de forma fria e direta, a disciplinou por um ano, afastando-a de sua função (motivo: pecou tentando suicídio). Antes e depois do ocorrido o seu líder nunca lhe fez visita.

No sudeste senhora evangelista, ganhou centenas de vidas para Jesus, enlouquece e, depois de três anos enforca-se na cozinha de sua casa.

Jovem tenta suicídio, no Sul com veneno de rato, passa três dias na UTI e se recupera. Ela alegou tristeza profunda e solidão. Produzia de forma especial para Cristo à frente do louvor da igreja.

Centro Oeste - Brilhante pastor de uma grande cidade enforca-se. Homem de grande capacidade executiva para o reino de Deus foi responsável direta e indiretamente por milhares de vidas alcançadas pelo Evangelho. Entra em processo de depressão e, depois de alguns anos o suicídio. É sabido que a depressão é considerada uma doença e pode ser causada por problemas genéticos também.

Centenas de líderes no Brasil estão no campo tomando remédio controlado, antidepressivos, calmantes, psicotrópicos, dentre outros. Na maioria dos casos, sem problemas, antes da ida a missão.

Muitos deles já estão em hospitais psiquiátricos.

O campo é guerra, o apoio é pífio, é difícil encontrar-se ombro.

A minha constatação não é que as igrejas são omissas ou negligentes em sua grande maioria, mas que falta estrutura espiritual.

Mesmo que queiram exercer a incumbência de apoiar de forma plena os missionários. Não amam o suficiente, não entendem a carência de quem está no campo. A maioria dos responsáveis por missões e plantação de igrejas nunca teve uma experiência de campo, pelo menos de médio prazo. Não entendemos também a complexidade da psique, das emoções humanas e não pedimos ajuda.

Muitos estão decepcionados com a estrutura vigente no geral. Alguns mais maduros e humildes percebem que tanto eles (no campo) como os da base não têm a estrutura mínima para o avanço do Reino muito menos em enfrentar este obstáculo de cunho mental.

Conheço vários que querem regressar do campo e voltarem a ser comerciantes, bancários, comerciários, advogados...

Não estou falando de pessoas medrosas, negligentes, estamos falando de apaixonados por Jesus que podem dar a vida por Ele; de estruturas frágeis que não apóiam como deveriam seus profetas, missionários, evangelistas.

Estou falando de uma tragédia, na qual temos perdido valores especiais, a maioria no auge da idade de produção para Cristo.

A nossa maior luta no Brasil não é externa, é interna. “Aceitamos o Cavalo de Tróia dado pelo gregos”. Não há necessidade de inimigos externos. Ele já adentrou as muralhas e estar nos destruindo.

2 comentários:

  1. Parece impossível que Deus vai vencer, mas creio na Palavra. Sei o que é ter uma esposa depressiva em campo missionário e os líderes de nossa denominação olharem para nós e nos culparem como se estivessemos em pecado.
    Este tema é um tabu.
    Deus tenha misericórdia de nós.

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  2. Pr. Luciano Batista31 de janeiro de 2011 14:06

    Comentário repassado:
    Pedro,
    Você conhece a realidade sertaneja desde o clima passando por suas paisagens, geografia, religiosidade, costumes e cultura, portanto, só pode falar com autoridade e auto-equidade. Não pense que jogo confetes, não precisas disso e da minha parte, sabes que jamais faria isso. Pode ser que um dia venha a fazer... é só você tomar a coragem de romper com a missão que cada vez mais se revela retrógada, reacionária, anti-ecumênica e fundamentalista.

    Quando afirmei que seu texto é colírio para meus olhos é por que tenho motivos. Dificilmente ouço, leio ou vejo um líder evangélico fazer reflexões contundentes e elucidativas que primem pela denuncia da podridão interna das respectivas igrejas evangélicas em nossa capital ou estado. Isso é simplesmente coisa rara! Você tanto quanto eu, sabemos das motivações que cerceiam os pastores, suas pregações e suas teologias recheadas de DEBLACE cuja pobreza de conteúdo bíblico, ideológico, filosófico e antropológico é fatal! Mas “tudo bem”, temos experimentado gradualmente o que o Julio Zabatiero chama de “enriquecimento dos instrumentos e veículos mediadores e filtradores da experiência religiosa”. Nossas platéias desejam ardentemente a dimensão extática, o estupo r causado pelo fascínio religioso que nós mesmos proporcionamos através dos encontros quase “teofânicos” que causamos com nossas pregações falaciosas. O Roger Bastide há muito nos falou que O sagrado selvagem dos patriarcas desapareceu do horizonte judaico, matriz religiosa e encubadora do cristianismo nascente. Doravante, a manifestação passa a ser calibrada e modulada de acordo com as aspirações e necessidades imediatas do grupo social, que inclusive normatiza o ritmo e a incidência das manifestações divinas, tornando-as, por conseguinte, previsíveis. E ai, precisamos lembrar também a provocadora, porem responsável afirmação do Guy Debord, “toda a vida das sociedades nas quais reinam as condições modernas de produção se anuncia como imensa acumulação de espetáculos. Tudo o que era diretamente vivido se esvai na fumaça da representação”. A socied ade do espetáculo está profundamente conectada com a sociedade do consumo, do individualismo, da pseudo religiosidade, da santidade apenas para consumo interno... por fim, lembro e evoco uma figura expurgada e mal-compreendida pela igreja, Feuerbach, que no prefacio à segunda edição de "A Essência do Cristianismo" diz: "Nosso tempo, sem dúvida prefere a imagem à coisa, a cópia ao original, a representação à realidade, a aparência ao ser. O que é sagrado não passa de ilusão, pois a verdade está no profano. Ou seja, à medida que decresce a verdade a ilusão aumenta, e o sagrado cresce a seus olhos de forma que o cúmulo da ilusão é também o cúmulo do sagrado”.

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