quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

A Exclusividade de Cristo para Salvação é Inegociável

A exclusividade de Cristo como único caminho não é uma intransigência, nem, tão pouco, uma injustiça; não é fruto de um mito criado por um bocado de judeus iletrados oriundos de uma região atrasada do Israel dominado e oprimido pelos romanos e, ainda pior, manipulados, explorados, abusados e enganados pelos religiosos, detentores do poder eclesiástico da época.
Muitos confundem o Salvador, o Cristo com as religiões, a maioria delas usurpadoras de seu nome, do seu poder e de suas promessas.
Para compreender a Obra da Cruz faz-se necessário separar a pessoa de Jesus das instituições religiosas, principalmente as mais evidentes e poderosas.
A exclusividade da salvação na PESSOA DE CRISTO deve-se pela singularidade de sua ação soteriológica. Ele cumpriu o necessário para o resgate da humanidade. Como homem - o Verbo encarnou, habitou entre nós, com natureza 100% humana submeteu-se a todo processo de punição necessário para que um homem sem pecado pagasse pelo pecado de pessoas pecadoras. Ele é Deus, ele é Homem, Só ele se submeteu ao sacrifício, só ele ressuscitou para nunca mais morrer.
Na pessoas de Jesus há salvação.
Você pode provoca-lo, chamá-lo, desafiá-lo. Ele reponderá, Ele está vivo, Ele tem um propósito salvívico para a vida d
e milhões, você pode ser um deles.
Disse Jesus: "Eu sou o Caminho a Verdade e a Vida, ninguém vem ao Pai (a Deus) a não ser por mim.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

João Batista, Profeta de Multidões(?) Profeta Esquecido

Multidão necessariamente não é maioria, mas um grande número de pessoas. Essa multidão estava procurando Deus e enxergava em João Batista, apesar da aparência e do lugar ermo aonde ele pregava, um profeta. 
A geração contemporânea a João Batista não conhecia profetas da parte de Deus. Há séculos Deus não falava por intermédio deles.
As pessoas o procuravam porque ele era cheio do Espírito Santo, Evidenciado por humildade, ousadia e autoridade quando profetizava; coragem para denunciar o pecado, não importando qual pecado, também por sua renúncia total.
O único compromisso de João era com o Senhor. Com certeza não refém de salário, de aparência, de conveniências, de conforto, de luzes, de fama. O objetivo exclusivo de João: cumprir a sua missão que era preparar o caminho para o Messias.
O batista não se preocupava com a aparência nem com o status atrelado ao suntuoso templo – Pregava no deserto; era profeta e sacerdote, mas não usava o linho fino dos sacerdotes. Suas vestes eram feitas de pelo de camelo. Um ministério curto de, aproximadamente 6 meses. A sua dieta era básica e simples:  a vitaminas vinha de mel silvestre e a proteína era oriunda da ingestão de gafanhotos.  Poderia, se quisesse, usufruir  das iguarias dos banquetes no Templo para os sacerdotes. Preferiu renunciar por causa da missão em servir a Jesus.
Os próprios inimigos davam referencias dele: Herodes confundiu Jesus com João, achava que ele, ao saber sobre Jesus e sua fama, tinha ressurgido dos mortos. (Mt. 14.1,2); a multidão desconfiava que ele era o Messias (Lc.3. 15-17); Jesus falou que ele era o maior dos nascidos de mulher. (Lc. 7.28). 

O conteúdo da pregação de João

Combatia o pecado de forma ampla  (Lc. 3.3);
Linguagem agressiva e direta, sem meias palavras (Lc. 3.7-9);
Orientava à misericórdia e partilha de bens (Lc. 3.11);
       Não compactuava com a corrupção tributária. Orientou ao cobrador de impostos: "Não cobre além do estabelecido" (Lc. 3.12,13).
Não compactuava com a corrupção militar  -  "Não faça falsa denúncia, nem extorsão". (Lc. 3.14). 
        Quantos hoje denunciam a corrupção desenfreada no Brasil, nas instâncias do poder público ou privado, em nome de Jesus?
        Denunciava o pecado moral dos governantes – Adultério de Herodes; denunciava os maus tratos do povo pelos governantes. Foi preso por Herodes, foi decapitado – Ele não prosperou na terra, não se tornou rico.

No reino de Deus é diferente: O maior é o menor. O maior é o que serve (?) Isso foi um principio libertador trazido por Jesus, ou é apenas uma estória da mitologia cristã que devemos sorrir e dizer: que bonitinho?!
O maior foi João Batista

Viva o padrão João Batista de ser, de servir!!!
Que  ele seja valorizado e copiado!
Precisamos de discipuladores imitadores do Batista!
Precisamos de uma nova geração de apaixonados pelo Mestre.
Que não tenham a vida por preciosa, não sejam reféns do dinheiro, de aparência, de conforto, de fama, de luzes. 
Que sejam libertos de distorções teológicas e doutrinárias.
Vivas  ao estilo João Batista de ser!!
Deus não está nos chamando para o deserto?
Saiamos das catacumbas, saiamos da sombra do esquema estéril que domina.
Deixemos o poder do Espírito Santo dominar as nossas vidas.
Gritemos: eu preciso fazer a vontade de Deus, se não eu morro!
Viva! ao Batista e a grife de suas vestes,
e também o seu padrão dietético

       As multidões afluíam ao deserto porque estavam cansadas de superficialidades, de hipocrisias. Queriam ouvir Deus. Deus não falava mais no templo. O templo estava dominado pelo mal, pelos mercenários, seguidores de Mamon; estava controlado por líderes vaidosos, corruptos, vendidos ao esquema político do depravado Herodes, vassalo de Roma. Coniventes e compactuantes com o Império pagão romano. Uma estrutura eclesiástica podre.
Os verdadeiros anelos do povo, desejosos de Deus não podiam serem preenchidos pelos religiosos mercenários e sem escrúpulos. 
Onde está Deus? Quem profetisa? Quem traz a palavra de esperança? Quem denuncia o pecado?
         A propaganda se espalhou: “Tem um louco profetizando no deserto, às margens do Jordão. Ele é agressivo no falar, a sua aparência é horrível, veste-se mal, mas, quando ele se expressa o ambiente muda, agente fica arrepiado, dá vontade de chorar, comunica com autoridade, denuncia sem medo. Deus está no deserto falando através dele. Vamos lá ouvi-lo.”
Multidões, ainda,  querem Deus e, buscam/procuram pessoas  cheias do Espírito Santo, como João, para serem orientadas.

Pedro Sertão Silva 
prpedroibis@gmail.com 

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Sua Igreja é Um Curral ou Aprisco

Após ler uma sequencia de artigos do Bispo Josué Adam Lazier, fiz algumas reflexões acerca da nossa realidade na dimensão de relacionamento pastor-ovelha, pastor e sua equipe de líderes.
Antes, faz-se importante definir aprisco e curral, aproveito as objetivas e precisas definições do autor referido:
Aprisco: Nele ovelhas se encontram, se aquecem e se protegem. No aprisco, considerando a perspectiva bíblico-teológica, as ovelhas conhecem o seu pastor. A figura do aprisco indica mais do que meramente um local onde as ovelhas se abrigam, indica a relação de confiança entre as ovelhas e o pastor. A palavra grega utilizada apresenta este sentido. “Parece ser um quintal na frente da casa, cercado por um muro de pedras que, provavelmente, tinha abrolhos em cima”. [1]
Currallugar onde o gado é reunido para receber o sal, a ração e as marcas dos proprietários. 

No contexto do ministério pastoral, que significam as imagens do “aprisco” e do “curral”? No aprisco há comunhão, identificação e reciprocidade em amor. O pastor cuida das ovelhas e as ovelhas deixam-se ser cuidadas, conquistadas pelo amor, por saberem que não são manipuladas, não são coagidas, não há chantagem, trocas nem jogo de interesses. No curral há controle centralizador, autoritário do pastor, seja por sedução ou compra, seja por imposição, através do medo ou incutindo sentimento de culpa nas ovelhas. A figura do marcar as ovelhas com ferro em brasa aponta para um reino particular em detrimento do reino de Deus que transcende os currais locais. O aprisco é lugar de refrigério, de apoio, de consolo, de amigos, pastor amigo das ovelhas, ovelhas amigas de ovelhas, uma identificada com as outras. Elas entendem: “Temos o mesmo problema: a luta contra o pecado”, não se acusam mutuamente, muito menos condenam. Uma comunidade terapêutica. 

Cuidado(!) Pastoral

O pastor do aprisco ama, este fato/sentimento é refletido na atitude de buscar a ovelha perdida, não rejeitar, não condena ( Jo 10.1-7). O buscar a perdida é ‘Chamados para fora’ (Eclésia). A parábola em Lucas revela que o pastor deixou as demais, 99, no campo para ir atrás da perdida, denotando valor individual, pastor de aprisco valoriza indivíduos não números. Olha nos olhos, sabe o nome de cada uma. Trata individualmente; tem prazer no bem estar de todas, em cuidar, restaurar, carregar nos braços por um tempo, até que a ovelha possa caminhar por si. Não associa valor monetário a seu trabalho, não tem preço. O Curral: Ezequiel denuncia a realidade apropriada: exploradores, manipuladores, opressores, sem afeto e sem misericórdia (Ez 34.1-10). Utilizam a realidade de escravidão do 
rebanho, de miséria em benefício pessoal, não querem mudanças, libertação social (resgate), nem libertação emocional, espiritual, controlam com o medo, manipulam gerando sentimento de culpa no rebanho. Têm prazer em subjugar, são mercenários, compactuam com o sistema vigente. A partir da realidade de vulnerabilidade do rebanho, mentem, vendem ilusões. Deixam os lobos, (às vezes eles são os próprios lobos), iludir, explorar, aterrorizar, porque não amam o rebanho, o mesmo é só “massa de manobra,” de exploração.

O Pastor Deve Lavar e Enxugar os Pés do Outro

Quando reflito, neste contexto, sobre o relacionamento entre líderes: Na imagem do curral enxergo um relacionamento autoritário, centralizador. Os líderes, hierarquicamente subalternos são tratados a partir de resultados. Quem tem um rebanho maior, melhor é tratado, quanto maior for o templo sob sua administração é mais admirado. Relacionamento de interesses, baseado no status, em aparência, em quantidade. Concorrência e disputa, desperta e alimenta inveja, ciúmes. 
Como expressou o pastor indiano. Samuel Kamaleson em 2004, no Congresso da Sepal em Águas de Lindoia - SP: “... Sou médico veterinário e conheço muitos advogados, professores, engenheiros, profissionais das mais diversas áreas. Sei que há inveja entre pessoas, nas várias funções, mas, não tão evidente e intensa como entre os pastores.” 
No curral o líder é estimulado a produzir por constrangimento e ou competição. No aprisco o líder é conservo, cooperador, bate papo argumentativo que estimule a voluntariedade, motivacional, correta, em servir. Pastoreio espontâneo, sem autoritarismo, nem coação. O líder-pastor do aprisco serve ao outro, dá exemplo, motiva. 
Os pastores, presbíteros, diáconos coliderados sentem-se livres. Não servem por obrigação, como um fardo, mas são voluntários. Pastoreio de líderes transparente, honesto, sem maquiagem, nem subterfúgios. A toalha e a bacia (Jo 13.1-17), é a síntese do serviço próprio do pastor que pastoreia líderes na proposta do aprisco. “O projeto da Igreja não é um projeto de poder, mas de serviço, DEUS não colocou em nossas mãos um cetro e uma espada, mas uma bacia e uma toalha, nós servimos.” (Ed René Kivitz).

Jesus Pastor

Jesus pastor servo, amoroso, o pastor que deu a vida pelas ovelhas, por amar incondicional. Líder provedor, que protege contra os ataques do lobo, contra as heresias, as falsas doutrinas, orienta a confiança em Deus no que se refere à manutenção, principalmente para àqueles que têm um chamado para ser peregrino, no serviço ao Senhor. Um pastor estável, confiável, vai até o fim com a sua palavra com seu compromisso, de aliança; pastor que respeita a ovelha, protetor, mas, capacitador, treinando para a vida (fazedor de discípulos que, também, fazem discípulos), para a caminhada. Identificado com a dor a fragilidade das ovelhas no sentido integral. Luta pelas causas das ovelhas do aprisco, pelas, das que estão de fora também. Um pastor que tem sede de justiça social, não conformado com a opressão, promove libertação à ovelha, conscientizando-a para ser agente libertador também, do outro.

Igreja que pastoreio: Curral ou aprisco?

Quando me refiro à igreja local que lidero e percebo/constato uma comunidade de pessoas acolhedoras, solidárias; consciente quanto a ser e fazer a diferença onde está inserida, alegro-me. Vejo-me ensinando a graça salvadora, santificação: sem a qual não se verá a Deus, (Hb. 12.4); conscientizando acerca de cidadania, politizando-a, neste contexto, promovendo projetos de resgate social, vivendo a “Teologia do Abraço”: um par de braços para abraçar, dois olhos que prestam atenção à necessidade do outro, valem mais do que mil palavras. Nisso enxergo e me vejo um aprisco. 
Flagro-me, também na contradição, na inconstância. Tentado, às vezes caindo em tentação, quanto à imposição de ideias, manobras e abusos de poder, às vezes, refém das demandas denominacionais, cobranças de resultados visíveis à instituição; impulsos carnais como reação ou respostas para outros líderes eclesiais; com pré-conceitos inconscientes aflorados, dificuldades de receber os excluídos em nosso seio. Contradições permeando a realidade de aprisco, formas deformadas, parecendo curral. Um comunidade cristã com realidade de aprisco, mas com aspectos e facetas de curral ainda.

____________________________________________________________________________
[1] Wesley, João, Sermões, Vol. II, pg 91-92.

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Chamado de Deus, Fé e Renúncia

Ida ao Campo Missionário 

            Quem está disposto a abrir mão de seu conforto, estabilidade financeira, de sua família em  decorrência da Causa do Reino de Deus?
            Quando me converti, fiquei deslumbrado pelo Mestre. Estava totalmente 
apaixonado. O que aconteceu em meu interior foi maravilhoso. Lembro-me que falei a dois irmãos o seguinte: “Nunca me comprometi totalmente com nada, mas agora quero envolver-me, ser servo de Jesus. O que Ele quiser. A obra dele em minha vida é muito forte. Quero servi-Lo”.
   Eu sempre tinha reservas a envolvimentos completos com movimentos seja social, político ou esportivo. Nenhum ideal , nem profissão preenchia-me, era como se dentro de mim houvesse um mecanismo, um sensor que me detinha. Achava que estava faltando algo. 
      Participei por três anos do Movimento Negro em João Pessoa- PB. Um amigo, militante da causa contra o racismo, abriu portas, adentrei. Tive envolvimento com o PT, ainda embrionário, no início dos anos 80.
            Era como se faltasse algo, um detalhe, não conseguia assumir um compromisso maior. Se contribuía com algo, não era com prazer.

O Soldado Doente Voluntário

O encontro com Jesus foi marcante. As pessoas em geral falam em chamado. Estou tendo um chamado! Ou, eu não tenho chamado! Comigo não deu tempo de saber se tinha ou não um chamado. Eu me ofereci. Queria servir ao Mestre, ao meu Salvador.
     Acerca desse assunto, me lembro de um fato: foi no alistamento militar, quando  me apresentei no quartel. No início queria servir ao Exército, mas, durante o process, mudei de ideia, então fui colocado no pelotão dos que podiam ser chamados para completarem outro pelotão, se houvesse necessidade, por impossibilidade, na última hora, de algum já selecionado. Lembro-me que ficamos mais de três horas perfilados, em forma, com um sol forte sobre nossa cabeça, neste processo.
Em nosso meio havia um rapaz, aparentando ser um pouco mais velho que os demais. Era costume no interior da Paraíba registrarem os filhos muito depois de seu nascimento e, invariavelmente se colocava a data de nascimento anos abaixo ou acima da idade real, ou por ignorância dos pais ou por motivos desonestos. Um dos motivos era  para conseguir alistar essas pessoas nas  emergências da seca promovida pelo governo. 
Aquele rapaz queria muito servir as Forças Armadas. Quando chegou  o tenente perguntando quem ainda  queria servir, já que havia 3 vagas a serem preenchidas, ele foi o primeiro a se apresentar: “Eu quero!” O tenente, já sabia do caso dele e falava: “Você não, você não pode”, mas ele insistia: “Eu quero, eu amo o Exército, quero ficar!” O tenente respondeu: “Você é doente rapaz, o regimento não pode ter doentes em suas fileiras!” Ele voltava muito triste a sua posição. Por três vezes o tenente convocou voluntários daquele pelotão, todas as vezes aquele homem se oferecia, e o tenente dizia: “Você não, você é doente!”.

Um Crente Oferecido, não Chamado 

Eu não sei exatamente o que levava aquele jovem a desejar tanto servir no quartel, se era porque achava bonita a vida militar ou porque não tinha expectativa de emprego e teria no quartel um salário garantido,  naquele ano de serviço militar. Aliás tempo difíceis no Brasil, no ano de 1984, crepúsculo da ditadura militar, desemprego e inflação altíssima. 
A insistência dele foi uma excelente  ilustração para o que sinto em relação ao compromisso missionário. 
Eu sou oferecido, apaixonadamente oferecido e disse ao meu Senhor: Eis-me aqui! Era exatamente aquilo que buscava, tinha certeza que era o ideal perfeito, mesmo estando ainda  doente de alma, aleijado, ferido devido a um processo doloroso para a conversão; independente do processo, a própria natureza pecaminosa desqualificava-me.  
No Exército de Deus ninguém é rejeitado, todos são aproveitados, mas antes tratados, curados.

Renúncia e Privações

A renúncia inicial foi o evitar ambientes poluídos de cargas eróticas elevadas, locais de consumo de drogas legais e ilegais que frequentava, mas a definição de viver totalmente em função da obra só se deu 6 anos depois. 
Deus trabalha de forma responsável e organizada. Muitas vezes seus projetos com e para os indivíduos são realizados, quase sempre, a médio e a longo prazo. 
Pulando alguns anos, já casado com Sueli, no ano de 1995 saímos de um poder aquisitivo de 15 salários mínimos para dois salários, mas tínhamos a convicção de que Deus estava no controle do processo.
Morávamos em João Pessoa, já eramos pais de Daniel, depois nasceu a Rebeca. Tivemos muita dificuldade de nos adaptarmos á nova realidade financeira, principalmente Sueli, minha esposa. Naquela época, era difícil comprar cosméticos e até roupas íntimas sem comprometer a feira de alimentação, contudo, Deus foi suprindo gradativamente as nossas necessidades. Até que  5 anos depois já estávamos com o poder aquisitivo semelhante ao anterior, vivendo um momento interessante como professores do Seminário da Juvep, a missão que nos recebeu como missionários, uma agência missionária plantadora de igreja no sertão do nordeste brasileiro.
 Fazíamos parte da diretoria da agência missionária e estávamos tendo uma participação com uma certa evidência. Estávamos sendo convidados para pregar em várias partes  do Brasil como resultado de um claro reconhecimento de nosso ministério.
 Vivíamos um bom momento ministerial e econômico. Tínhamos comprado um apartamento em um bairro central da capital da Paraíba, financiando uma pequena parte.
Todo este processo está resumido aqui. de 95 até este momento confortável, o processo não foi confortável, muita privação, humilhação, solidão, incompreensão, mas, Deus compensando, consertando, dando graça no processo.

Morrer por Cristo no Timor Leste

 Na mesma época, recebi um convite para ir ao Timor Leste fazer uma pesquisa, em um período de três meses, objetivando identificar o perfil evangélico daquela nação.
 Me senti privilegiado. O País estava passando por um momento difícil em sua história como país recém independente. A população, em um plebiscito organizado pela ONU, votou pela independência da Indonésia. Como reação, parte do povo indonésio invadiu o território timorense, e  destruíram a picaretadas e marretadas, boa parte dos prédios da capital Díli e outras cidades, com muitas mortes.
 Naquele período havia ainda risco de invasões. O contexto levou-me a reflexão. Um misto de prazer e medo por está numa possibilidade de envolver-me num contexto de risco de vida por causa do Evangelho, por causa de Jesus.
Nesse ínterim, acordo em um determinado sábado sozinho – Sueli tinha ido a um projeto de evangelismo no interior de Alagoas.
Despertei com uma forte tristeza e uma sensação de vazio e angústia em minha alma. Entendia que estava servindo ao Senhor naqueles dias, mas aquela inquietação mexia comigo intensamente. Não  comi nada, só orei. Queria entender o que estava acontecendo em mim.
 À noite, o Espírito Santo me fez compreender o momento espiritual. A sensação de privilégio por estar sendo levado a uma área de risco, em uma nação sob ameaça de guerra, se transformou em um confronto. Era como se Deus me falasse assim: Você se sente privilegiado em correr o risco de morrer por minha causa, mas como está vivendo no dia-a-dia? Como tem se relacionado comigo, qual o nível de oração na dimensão de tempo e qualidade, de comunhão? Uma relação pessoal profunda ou apenas religiosa baseada em troca? Você é digno de morrer por minha causa?
Esse confronto perturbou-me ainda mais. Passei o domingo procurando um escape, uma saída para o confronto dentro de mim.
Só sabemos quem somos, como estamos, e qual é o nosso nível de espiritualidade quando passamos por crises. 
Sueli chegou no meio da tarde do domingo do evangelismo em Alagoas, o Projeto Missionário havia terminado. A primeira coisa que ela disse quando me viu: “eu estou arrasada, me sentindo frustrada. Vi pessoas no evangelismo, tão comprometidas, abnegadas, totalmente envolvidas com o Reino de Deus. Estou me sentindo uma inútil”.  Os seus sentimentos identificavam-se com os meus. Deus falou a mesma coisa em nossos corações embora de forma diferente.
Naquela noite ficamos em casa. Depois que as crianças foram dormir, sentamo-nos  à mesa da sala e começamos a orar. Colocamos diante de Deus todos os nossos sonhos, projetos, bens espirituais e bens materiais, os filhos e o casamento. Renovamos nossa fé, nosso compromisso, pacto com o nosso Salvador e Senhor. Um novo começo, uma nova etapa, uma nova percepção.
Na segunda-feira brotou em nossos corações o desejo de sermos missionários no sertão do nordeste, embora não soubéssemos onde exatamente, tínhamos a convicção desse direcionamento de Deus para as nossas vidas. A ida ao Timor Leste  foi adiada, até hoje não aconteceu. Provavelmente, foi apenas um expediente de Deus para promover uma reviravolta em nossas vidas. 

A lógica para Deus nem sempre funciona.

       A nossa convicção de ida ao sertão era tão forte que pensamos em renunciar a todos os nossos compromissos de imediato, mas Deus nos fez entender que não era para ser uma ação imediata. Havia ainda alguns acertos para acontecer.        
            Um mês depois compartilhei com o presidente da agência missionária da qual fazíamos parte, desse direcionamento trazido por Deus para as nossas vidas : ‘de irmos trabalhar no sertão. Ele questionou com os seguintes termos: “Pedro, você está vivendo o melhor momento como participante da diretoria da Missão, está sendo aprovado como professor de uma das mais difíceis turmas de quarto ano, no bacharel em Teologia, que o seminário já teve; tem sido convidado  e reconhecido com um líder e pesquisador, por várias igrejas em várias partes do Brasil. Tem certeza que é de Deus esse direcionamento?”
Essas palavras colocaram em cheque as minhas convicções. Não era lógico. Eu estava realmente sendo útil para o Reino e vivia um momento estável  ministerial e financeiro.
 Sentado em minha rede, na varanda do nosso apartamento recentemente adquirido, perguntei a Jesus: Será que nos confundimos, foi apenas emoção? Mas, o Espírito de Deus falou fortemente ao meu coração com a conclusiva pergunta : E tudo isso comparado a minha vontade?
O meu grande  medo e frustração não era perder o contato com as lideranças e igrejas que se relacionavam comigo, possibilitando convites para pregações e intercâmbios, nem perder o prazer de estar em sala de aula, nem tão pouco, abrir mão de morar numa cidade de porte médio, com os confortos naturais, de sair do recém comprado apartamento (sonho de todo casal). O que eu não queria passar novamente, era por privações financeiras, como passamos no inicio do ministério. Por isso achava que pela lógica sairia de João Pessoa  com a renda familiar garantida.
Essa percepção me fazia descartar a possibilidade de assumir o Centro de Treinamento de Lideres do Sertão – CTL´S, seminário alternativo que a JUVEP tinha em Itaporanga-PB, município localizado no sertão, região semi-árida. Era a única alternativa de trabalho permanente que a Juvep tinha no sertão, naquela época. 
Eu pensava que assumiria uma igreja em uma das cidades pólo no sertão. As portas não se abriam nessa direção.
            A missionária que estava à frente do Seminário sertanejo provocava-me de uma forma inexplicável com este desafio: "Estou orando por vocês para assumirem o CTL´S". Eu ria e tremia ao mesmo tempo.
Quando falava com o Sérgio Freitas Ribeiro, presidente da Juvep, perguntando sobre alternativas no sertão, ele sugeria o CTL´S.
 Quando perguntava se havia manutenção definida, a negativa me fazia rejeitar o CTL´S. Pensava eu: Deus não vai querer que eu passe por dificuldades financeira de novo. Ledo engano, pelo fato de já ter sido aprovado, Deus sabia que podia contar comigo no dar um novo passo de fé. Era o CTL´S que nos aguardava. 
De inicio a decisão em ir a Itaporanga teria como conseqüência a perda salarial de mais de sessenta por cento de nossa renda. Quando decidimos aceitar o desafio do CTL´S houve algumas reações estranhas de alguns colegas de ministério. Exclamações do tipo: "Você está louco"?! "Estou com uma inveja santa de sua decisão em ir morar no sertão, mas se Deus  ordenasse a minha ida, mesmo assim eu não iria"! Para mim foi uma surpresa, achava que todos que estão na obra são comprometidos de forma ampla e incentivavam quem tinha um chamado. 

Pisando o Jordão

 Acreditávamos que na nossa chegada, Deus iria abrir as portas financeiras imediatamente. Não foi bem assim. Com menos de um mês recebemos a notícia de que a igreja que mandava a maior oferta para o nosso ministério, gentilmente nos informava que não poderia estar nos sustentando, deixou-nos gradativamente. O e-mail comunicando o final da parceria, foi como um balde de água fria em nossas convicções, mas não nos deixamos abalar. A convicção de estar no centro da vontade de Deus era maior que o aparente revés em nosso início de caminhada no sertão.
         Com aquela decisão da igreja, a nossa perda  salarial aumentou para  setenta e cinco por cento. Se Deus não agisse a tempo teríamos que vender o automóvel, colocar as crianças na falida escola pública brasileira.
Estávamos sendo provados de novo na área financeira.  Se nossos referenciais e valores na relação com Deus fossem baseados em referências materiais, com certeza, teríamos entrado em crise. E inevitavelmente concluiríamos: "pisamos no Jordão" e ele não se abriu! Demos o passo de fé e não fomos honrados!
Sabíamos que o fazer a vontade de Deus, necessariamente, não implica em fartura, conforto ou honras do ponto de vista humano, nem de interesses entranhados e atrelados ao consumismo e à valorização do ter em detrimento do ser, tão forte em nossa realidade sócio-cultural.
 Combinamos  vender o carro, se dentro de quinze dias, após o comunicado da igreja mantenedora, as portas não se abrissem. Foi quando recebemos um depósito de uma pessoa anônima em nossa conta bancária dentro do prazo. Deu para pagar nove meses da prestação do carro.
Deus, ao longo do primeiro ano no sertão, foi levantando novos mantenedores gradativamente e a nossa renda, embora nunca tenha voltado ao nível de antes, sempre foi suficiente para suprir as nossas necessidades básicas. Podemos dizer: Ele é fiel, organizado e responsável. O Senhor não permite processos que não podemos suportar. Todas as coisas estão sob o seu controle ( Rm 8.28).
A questão fundamental: independente de conforto ou não, saúde ou não, segurança ou não, honra ou não (Fp 4.13-21), o principal é estar na posição de servo, submisso, buscando discernir qual à vontade do Senhor. Para isso é necessário renúncia, nos rendermos totalmente à vontade de Deus, Pai de Jesus Cristo, agente e comandante da propagação de seu reino em toda a terra, realidade inevitável que se confronta com todos os valores  deste século.  
Pedro Sertão Silva


domingo, 14 de junho de 2015

Soldado do Exercito de Davi - Sem o Espírito Santo não há obra de Deus - II

O primeiro líder que se aproximou de mim demonstrando um real interesse de ser ajudado foi o Pr. Gildário. Sertanejo autêntico de nascimento, nativo de Pombal no estado da Paraíba, pastor da igreja Assembléia de Deus Betesda em Itaporanga também na Paraíba.
Gildário aproximou-se, quando dos primeiros dias de nossa chegada, para assumirmos o Seminário Sertanejo da Juvep.
Apesar de seu jeito excessivamente irreverente, transparecia, em suas atitudes, um grande desejo de ser acompanhado.
 Seis dias depois, após a nossa mudança, ele visitou-nos. Era dia de feira. O convidei para comermos um guisado de bode com cuscuz na feira livre. Nada melhor que começar os primeiros contatos, principalmente com a liderança mais simples, de forma simples.
Durante o lanche, fiz-lhe uma proposta: perguntei se ele me acompanharia em uma campanha de jejum e oração. Estava chegando ao sertão e queria começar totalmente alicerçado na oração. Ele prontamente aceitou o convite.
No primeiro dia de consagração, pela manhã, depois que fiz uma oração geral pelo sertão e também, pelas lideranças da região, sugeri ao Pr. Gildário que intercedesse por sua igreja.
Ele começou a orar de uma forma displicente. Ao mesmo tempo em que orava sem convicção, bocejava e coçava as costas. Eu pedi que ele parasse de orar e sugeri que se empenhasse mais na intercessão. Gildário tentou de novo, mas não conseguia. Usando uma linguagem sertaneja para explicar o momento: Gildário estava “travado”.
Quando o questiono novamente, querendo entender o porquê de sua dificuldade, Gildário, tem um acesso de ira e grita:
- Eu não oro não! Eu não oro por eles não! Eles me rejeitam e eu os rejeito! Eu não quero saber daquele povo não!
Pensei comigo: Meu Deus! Com quem me aproximei para ser companheiro de oração? ou, numa expressão mais popular: “aonde amarrei a minha burra”.
Gildário estava passando uma crise sem precedentes com sua igreja, nas suas finanças, na sua alma, e, também pertubado com suas lembranças da infância. A sua auto-estima estava arrasada, os seus sonhos frustrados.
Antes de sua chegada em Itaporanga, havia uma expectativa em seu coração de ser honrado e exaltado nesse novo campo. Ele tinha assumido já a um ano e seis meses.
Havia passado por apuros em outros trabalhos missionários também;  sido humilhado antes, experimentado apertos financeiros angustiantes também, mas ele venceu todos esses problemas e se considerava um vitorioso, afinal de contas não é qualquer um que constrói e deixa três igrejas repletas de ovelhas em áreas muito carentes, inclusive na zona rural, cuja resistência ao evangelho é muito maior no interior do nordeste. Até o prefeito, de um dos municípios que o Gildário pastoreou, se converteu, numa sinalização, segundo ele, da aprovação de Deus. 
Quando chegou a Itaporanga – PB, encontrou uma igreja mantida, em grande parte, por um assistencialismo, por si só nocivo, por legitimar uma dependência, entranhada na cultura do sertanejo pobre, camada da população acostumada e adaptada a receber esmolas e paliativos.
Com a saída do antigo pastor, foi-se as verbas para as cestas básicas, para o combustível, indispensável ao carro que trazia as ovelhas da zona rural para o culto dominical.
Gildário queria dar continuidade ao mesmo estilo de trabalho, só que não tinha nenhum lastro. 
Pela “fé”, passou a comprar fiado gasolina e a fazer feira para as ovelhas carentes. As dividas foram aumentando de uma forma tal que  teve de vender o seu carro, para pagá-las. Contudo ainda lhe restava os agiotas para pedir dinheiro emprestado. Pegava dinheiro a juros altíssimos afim de cobrir os cheques passados sem a devida provisão de fundos. 
Uma ciranda financeira terrível impulsionada por uma necessidade de afirmar-se como líder assistencialista, a exemplo do anterior. Também alimentada por uma necessidade de compensação para a sua carência de auto-aceitação, devido a sua infância extremamente pobre, em que as sombras da miséria e da fome sempre perto.
Ao perceber que a sua expectativa de ser exaltado e honrado no novo campo foi apenas uma ilusão -  As ovelhas o rejeitavam de forma agressiva. 
Contrariado passou a ferir com palavras a todos, indiscriminadamente e a mandar recados através das pregações no púlpito. Abuso de poder indesculpável. Fato esse que, o mesmo, quando se deu conta do grave erro, pediu perdão de púlpito e individualmente ao rebanho. 
Para Gildário se dá conta dos graves equívocos foi um processo longo e doloroso. 
Eu percebi que Deus tinha colocado ao meu lado uma pessoa que precisava de um acompanhamento especial;  tinha um companheiro de oração, mas, ele era um líder gravemente doente que precisava ser tratado.
Ele tinha um perfil semelhante a dos soldados do Exercito de Davi (1Sm 22.2): endividado, rejeitado, amargurado, desesperado. Pessoas que, quando valorizadas pelo seu líder, dão suas próprias vidas por ele ou pela causa. 
A primeira semana de oração e jejum foi exclusivamente para ouvir o Gildário. Ele chegava religiosamente todos os dias pela manhã, logo cedo. Antes de começarmos a orar, falava, falava, falava... Tudo que vinha em sua mente, principalmente, no inicio do acompanhamento. Compartilhava assuntos recentes e do passado, também, acerca de fatos traumáticos ocorridos na sua infância.  Ao lembra de determinados assuntos chorava muito. 
A sua mãe morreu quando tinha apenas cinco anos. O pai o abandonou e os avós paternos o acolheram como quem acolhe um escravo. Gildário foi treinado para ser um “burro de carga”. Trabalhava pela alimentação.
Seria impossível resgatar o Gildário sem um acompanhamento intensivo. Ele só não dormia na minha casa. Seria impossível, também, se não houvesse em seu coração um desejo forte de restauração, se não houvesse confiança absoluta da parte dele para comigo; se não houvesse amor, boa vontade, de minha parte.
Ninguém pode discipular e consolidar o outro com as ferramentas ideais se não for pelo Espírito Santo (1 Co 12.6-11).
Foram, inicialmente, na primeira fase, nove meses de acompanhamento. O maior desafio foi à libertação da necessidade fundamental e vital que Gildário tinha que era a de TER. Pensava que o dinheiro responderia a todas as necessidades. E seu complexo de pobre e rejeitado o levava de forma compulsiva para uma compensação na área de aparência: O TER em detrimento do SER. Foi sua maior luta.
Entender que o Senhor era o Deus da provisão para alguém que mal conseguia jejuar meio dia, porque no momento em que começava a sentir fome entrava em pânico devido aos traumas em decorrência da fome que passou na infância, era muito difícil.
Inclusive tentei ajudá-lo na área financeira naquele momento, mas Deus tinha fechado as portas de uma forma radical. Ao entendermos isso passamos a confrontá-lo com a necessidade de descansar no Senhor que é o Deus da provisão. A impressão que eu tinha era como se fosse alguém extremamente dependente de uma droga e que precisava se desintoxicar. 
Depois de nove meses de acompanhamento intensivo, Deus entregou a igreja, que antes o rejeitava, em suas mãos.
No processo de oração em jejum o Senhor fez uma purificação na igreja extraordinária. Pessoas que estavam em prática sexual ilícita, chegaram ao pastor, de forma espontânea confessando o pecado alegando que não queriam continuar em tal pratica e estavam pedindo ajuda a Deus e a igreja; irmãos que resistiam de forma agressiva à sua liderança, chegando ao ponto de interromper a sua pregação com insultos em pleno culto, pediram perdão.
Mas, as portas das finanças ainda não tinham sido abertas até então. Foi quando o Pr. Gildário chega à sala da diretoria do Seminário Sertanejo, com um semblante semelhante aos primeiros dias que o vi quando da minha chegada em Itaporanga. 
De forma precavida e prudente convidei-o para sentar e contar as novidades. Ele desabafou: 
- Essa historia de missões é conversa fiada. Tudo é ilusão e mentira. O dinheiro não chega, as feiras não chegam. O povo só faz nos enganar...
Depois de ouvi-lo perguntei o que estava acontecendo de fato. Ele então respondeu: - Estou passando por uma humilhação muito grande.  Peço um real a um e a outro para que o programa do rádio não acabe. 
A igreja tinha um programa em uma radio comunitária, com duração de uma hora, um dia por semana, o valor mensal do espaço radiofônico era de cinqüenta reais.
Continuou Gildário a falar: 
- Não tem dinheiro para usar o fusquinha do Seminário Sertanejo.
O  fusquinha do Seminário estava à disposição de sua igreja. Devido a falta de dinheiro, era costume o Gildário colocar apenas um litro, às vezes só metade de um litro de gasolina no fusca. O frentista do posto passou a chamar o carro de zé gotinha. Ele conclui de forma pessimista: 
- Está tudo errado, eu não sei mais em quem acreditar. Os homens estão segurando as bênçãos de Deus para a minha vida.
Diante da realidade passei a tentar leva-lo a uma reflexão lógica: se o dinheiro não vinha já há vários meses era porque Deus não estava no assunto. E sugeri ao Gildário que desistisse tanto do programa do radio quanto da ida a zona rural até que a situação financeira melhorasse. Ele gritou irado: 
- Eu não desisto! Se desistir vão me chamar de covarde. 
Insisti na analise racional dos fatos afirmando que não tinha lógica aquela teimosia. O Gildário muito bravo falou: 
- Tem lógica sim. Eu vou continuar e pode dar o que der. Se desistir irão me chamar de derrotado. Eu não sou derrotado! Dirão que eu sou covarde. Eu não sou covarde! Deus querendo ou não querendo me ajudar, EU NÃO DESISTIREI! 
Percebi que tratava-se de algo além da razão e da lógica. Aquietei-me e esperei Gildário se acalmar. Ele, mais tranqüilo ofereceu algo inesperado para mim. Disse:
- Me compre a rifa.
Sem entender perguntei: que rifa? Ele respondeu:
- A rifa do galo.
Não comprei a tal rifa, mas fiquei impactado, sensibilizado com aquela realidade, escrevi um artigo e coloquei na internet . Quando o e-mail passou a circular na  o retorno foi imediato. Varias ofertas de enumeras igrejas, das mais diversas cidades, até fora do Brasil chegaram para abençoar o sertanejo da região do Vale do Piancó, Sertão da Paraíba, área muito carente com uma população evangélica ainda pequena, principalmente na zona rural. 
As portas finalmente se abriram para o Pr. Gildário. Nunca mais houve problema com falta de recursos. Deus passou a suprir.  Das vezes em que houve alguma dificuldade, posteriormente a esse momento marcante, foi devido a problemas administrativos. Mordomia mal realizada.                         Agora, o melhor de tudo foi o que aconteceu antes da benção material começar a fluir para o Gildário: ele foi liberto do medo, dos traumas da infância, de ser refém de aparência, a necessidade do ter hoje é confrontada diariamente, em sua vida com o ser servo a serviço de Deus.
A libertação mais importante nele, foi da necessidade compulsiva de consumo numa relação direta com sua auto-aceitação e segurança em se relacionar com o próximo, principalmente com o poder aquisitivo superior ao dele.
Melhorou muito o seu relacionamento com Deus: a ênfase passou a ser de relacionamento pessoal com o Senhor numa perspectiva mais que ritualística – religiosa. Numa rendição plena ao Pai Celeste. Ele passou a orar com esse conteúdo:
- Que Deus faça o que for preciso em minha vida para que eu possa ser livre para servi-lo. Desiluda-me, arranque de mim o que não Lhe agrada e administre a minha vida sem reservas.
 Um homem livre a caminho da Liberdade maior, num processo contínuo de crescimento que culminará, inevitavelmente na glorificação pelo sacrifício da cruz.
Todo esse processo só é possível na direção do Espírito. Não haveria aproximação minha com o Gildário que resultasse em libertação, aprendizado recíproco sem a motivação do Espírito Santo.
Mas só teremos segurança de nos aproximarmos do outro se formos bem resolvidos com Deus e conosco mesmo. Do contrário é melhor ficar distante, pois só o servo cura o outro (Mt 12.15-19; 20.25-28; 23.11). O doente adoece o outro. 

quinta-feira, 14 de maio de 2015

domingo, 8 de março de 2015

Dia da mulher? Minoria? Como?


Dias reservados a homenagens especificas para determinados seguimentos, faixas-etárias, classes trabalhistas... Existem para denunciar, minimizar, compensar injustiças à minorias e oprimidos
...Elas são oprimidas por terem menos força.
Elas são abusadas sexualmente 
São assediadas sexualmente em ambientes de trabalho
São usadas, como atração sexual, para venderem todos os tipos de produtos
São vitimas de violência doméstica
Violência na rua, violência psicológica
Estupros
Elas ganham menos que os homens exercendo a mesma função
É preciso sim ter o Dia da Mulher
Votos que, o mais rápido possível, não acha mais necessidade deste dia.