quinta-feira, 19 de abril de 2012

Ungir o Corpo de Jesus Morto. Como assim? - Sem o Espírito Santo não há obra de Deus - V



Elas Iam Ungir o Corpo de Jesus

Lc 23. 54-56; 24.1-6

Três mulheres, discípulas do Mestre chamadas Maria Madalena, Maria mãe de Tiago e Salomé (Mc 16.1), acompanharam Jesus desde a Galiléia.
Chegaram ao túmulo, onde Ele fora sepultado, próximo ao final da tarde da sexta feira, dia da preparação.
Como iria se iniciar o sábado, dentro em pouco, elas percebendo que não daria tempo ungir o corpo de Jesus, foram embora e esperaram passar o sábado.
De madrugada, seguiram em direção ao túmulo. Encontraram a pedra removida, estava vazio. As discípulas ficaram perplexas com o fato.
Apareceram a elas dois anjos que  lhes perguntaram: "Por que vocês estão procurando entre os mortos àquele que vive? Ele não está aqui! Ressuscitou! Lembrem-se do que ele lhes disse, quando ainda estava com vocês na Galiléia: 'É necessário que o Filho do homem seja entregue nas mãos de homens pecadores, seja crucificado e ressuscite no terceiro dia’” (Lc.24.5-7).
Invariavelmente quando se analisa esse texto, é feito, reflexões de caráter positivo acerca da atitude das  seguidoras do Mestre.
Afirmar que elas, por terem ido na madrugada ao túmulo, com uma grande pedra dificultando a entrada, foram corajosas, tinham motivações boas pela fidelidade ao Mestre; eram mulheres dispostas, tinham no coração gratidão e amor é ser justo com elas.
Só que, existe um aspecto muito sério,  quase sempre relegado ou mesmo ignorado na atitude delas. O que queriam fazer indo ao túmulo? a resposta é: ungir o corpo do “defunto”.
Elas não foram ao sepulcro para e na expectativa de verem a sua ressurreição. A intenção era prestar uma homenagem póstuma através de um ritual fúnebre no qual utilizavam-se perfumes e óleos aromáticos, dentre outros elementos.
Numa proposta semelhante, aqui no ocidente, se enviam coroas de flores, mandam-se telegramas de pêsames, coloca-se flores em cima do corpo. Parte de um ritual  em que o ente querido é “bem tratado” e  a morte é legitimada.
Se elas estivessem na expectativa da ressurreição, conforme Jesus afirmou que ocorreria, por diversas vezes, antes de ser preso e morto, a atitude delas seria outra.
Não se tem outra atitude condizente com a vontade de Deus se o Espírito Santo não estiver no controle.
Elas estavam passando por um momento de crise profunda. Aquele que disse e "parecia ser" o Messias estava morto, foi preso, não ofereceu resistência, foi humilhado, nada de sobrenatural mais aconteceu. Ele morreu, ele estava ensanguentado, acabado. A esperança se foi com a morte.
O trauma da morte se abateu, se instaurou.
Quantos irmãos em Cristo, mesmos líderes, vivem hoje, entre nós,  traumatizados, feridos, desiludidos, chocados, seja por motivo da morte de entes queridos, ou traições de entes íntimos; feridos pela liderança, revezes graves financeiros, a fé abalada, sufocados e detidos pelo desânimo...
Quantas lideranças ou ovelhas reféns de um casamento falido, que nem a aparência da mais para manter. Casos de separação sem sentido, parecendo que Satanás chegou e dinamitou toda uma estrutura familiar que parecia indestrutível.
Quantas ovelhas ou mesmo líderes estão detidos por causa de enfermidades que vieram e levaram a paz, instaurando crise financeira sem precedentes nas suas histórias de vidas.
Traumas, dores, mortes, frustrações, decepções... Quantos irmãos não sofrem de forma a comprometer a sua espiritualidade por serem perseguidos e caluniados implacavelmente, por estarem sós, por não serem reconhecidos. Sentimentos, feridas, doenças na alma que podem comprometer a visão correta do propósito e da direção de Deus.
Mas, o amor, a gratidão, a vontade de servir ao salvador, às vezes, a necessidade de continuar apresentando uma espiritualidade de fachada, a necessidade “profissional’, para os que vivem da obra, de estarem sempre produzindo para o Reino, prestando relatórios... Faz com que vários, sem condição emocional, psicológica e muito menos espiritual, continue a querer produzir para Deus.
Nem sempre fazer para Deus é fazer o que Deus quer que se faça.
Quem administra não somos nós, mas sim Ele.
Tem momentos que é preciso parar. Pessoas doentes precisam ser tratadas. Até as empresas têm por obrigação legal liberar os enfermos para serem curados, e pagam, mesmo assim o salário. Depois de um determinado tempo, a Previdência Social do Estado assume o ônus salarial do empregado, mas, é preciso que haja tratamento, não se produz estando enfermo em nenhuma dimensão seja para a empresa, muito menos  para o reino de Deus.
Temos acompanhado há mais de dez anos parte da liderança evangélica no interior do nordeste, no sertão da Paraíba, um bom número destes líderes estão precisando parar para serem curados. Muitas igrejas não crescem por causa de doenças na alma do líder.
Uma pergunta que geralmente faço, quando alguns compartilham seus conflitos, é esta: por que você não dar um tempo no ministério para se tratar? As respostas, invariavelmente são:
- Eu não posso fazer isso, se não eu perco o cargo e outro vem me substituir.  Ou com este conteúdo: - eu não posso transparecer fraqueza se não sou considerado desqualificado.
Uma outra análise é em relação ao pecado. Muitos irmãos estão por aí tentando servir a Deus de todo jeito, até mesmo em pecado. Deus não faz acepção de pessoas. Se alguém está em pecado, tem de ser tratado.
 Não se faz a vontade de Deus em pecado, o Espírito Santo não atua em pessoas em pratica pecaminosa.
A uma tendência, conscientes ou inconscientes, que levam pessoas a acharem que fazer a obra de Deus encobre pecados e que Ele vai “passar a mão na cabeça” de quem está em pecado.  Ledo engano.
Voltando ao texto: As mulheres estavam com a melhor das intenções, mas, devido ao trauma da morte e morte exatamente daquele que parecia ser o herói político e divino, fez desmoronar em seus corações a esperança. Com a melhor das intenções foram ao túmulo para ungir o corpo, o cadáver.
Não se trabalha para Deus sem a esperança, não se tem esperança sem uma atuação direta do Espírito Santo, o Espírito Santo não atua, de forma plena, em corações impedidos por traumas, ansiedade, doenças de alma, ódio, amargura, e muito menos em pecado.
Quantos não estão, no meio cristão, com a melhor das intenções, atrapalhando a obra de Deus. Fazendo a coisa certa na hora errada, ou mesmo a coisa errada, da forma errada na hora errada. Com a melhor das intenções, achando que tem de fazer de qualquer forma para Deus.
Na maioria dos casos, fazendo para si mesmo e para que o outro veja. Deus não precisa de nós, nós é que precisamos dele. Ele sabe a forma, o tempo e o lugar para, quando, segundo a Sua vontade, termos o privilégio de servi-lo.
Deus sabe a hora quando seu sevo deve parar. É preciso está atento ao Espírito Santo. Não pode ser de qualquer jeito, a qualquer hora, em qualquer lugar o trabalhar na Obra.
Voltando a analise do texto: Apesar da falta de esperança nas suas servas, Deus em sua infinita misericórdia enviou anjos que avisaram a elas acerca da ressurreição, dando as mesmas o privilégio de terem sido as primeiras pessoas a saberem da maravilhosa noticia.
Sem o Espírito Santo não se pode servir a Deus.
Ele aconselha ensinando – Jo 14.26
Ele orienta para a verdade – Jo 16.13
Ele promove santificação no crente – Rm 15.16ç 1 Co 6.11
Ele habita na Igreja - Jo 14.17; Rm 8.9

Um comentário:

  1. Fazer a coisa certa para Deus. Acredito em Deus, Ele é fiel.
    Castro José

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