terça-feira, 10 de novembro de 2009

Uma crente morreu de fome. E eu com isso?

 Num município minúsculo e paupérrimo do sertão da Paraíba uma senhora morreu por causa da subnutrição aguda que lhe atingiu em conseqüência da ausência quase total de alimentação em sua casa. E isso foi divulgado amplamente como denuncia pela Juvep. Uma senhora evangélica de Curitiba, em estado de choque, querendo resposta que explicasse esse lamentável fato, já que se tratava de uma serva de Deus, nos escreveu buscando resposta(s).


Crentes morrem atropelados, vítimas de assalto, queda de avião, afogado, de câncer, falta de atendimento em hospitais públicos... Há até casos de raios que caem e matam servos de Deus.
... Alguns morrem de fome...


O que nos diferenciam de um não crente, fundamentalmente é que temos a salvação e, por conseguinte vamos reinar de forma plena com o Senhor quando da sua vinda....


A irmã não pode ser considerada mártir. Ela não morreu conscientemente pela causa do evangelho, nem morreu por que confessava a Jesus como seu único salvador. Não foi vítima clara de perseguição religiosa. Ela morreu por causa da injustiça social, da corrupção que assola esse país, também da omissão de boa parte da igreja brasileira que repete e imita àqueles que controlam o poder econômico. Seguimento egoísta, acumuladora de capitais, materialista e excessivamente consumista, contribuinte também e mantenedora da industria de supérfluos com etiquetas e design "belissimamente" impressionantes. Vítima de distorções teológicas, de pregações superficiais, atrofiadas ou cheias de acréscimos perniciosos ao evangelho, do pecado que assola de uma forma profunda, forte e brutal à sociedade brasileira. Igreja evangélica que é, em grande parte omissa, volúvel... dispersa, desunida, não sabe encarar seus defeitos com maturidade. Fragmenta-se em infindáveis pedaços. 
Pobre e frágil igreja evangélica nacional.
Quantos irmãos não estão desempregados, endividados, falidos, amordaçados, "amarrados", passando necessidades? As vezes membros de igrejas onde grande parte tem um poder aquisitivo de fazer inveja.


Algumas tendências no meio cristão afirmam que toda dificuldade financeira, miséria, fome é causada por pecado ou falta de fé individual (da vítima), a parte da sociedade detentora do poder financeiro alega que os pobres são pobres porque são preguiçosos. Isso é simplismo, fruto de mentes alienadas, um falso desencargo de consciência legitimador de um genocídio silencioso que assola a nossa nação.
Há muito mais injustiça, opressão, descaso e omissão em nosso meio.

Denunciemos, oremos, profetizemos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário