quinta-feira, 19 de abril de 2012

Igreja Saudável Ora - Sem o Espírito Santo não há obra de Deus - VII

Um dos processos mais interessantes de minha  trajetória missionária foi o despertar para a oração. Abaixo descrevo um pouco desta experiência na relação direta com o meu chamado à obra.


Lc 18. 1-14  
         Uma igreja saudável ora.  Um dos componentes de  sua base é a oração perseverante (At 2.42).
         Orar. Falar  com Deus, relacionar-se com Ele. Invocá-Lo. Voltar-se para o Criador de tudo. Olhar para Ele. Ousar proferir palavras, externar sentimentos, compartilhar dores, sonhos, ilusões. Desabar em lágrimas, estourar em gargalhadas. Silenciar, aquietar. Atrevidamente, corajosamente ouvir Deus.
Ser influenciado, orientado, ser consolado, encorajado, confrontado, corrigido... Orar é um estado de alma. Mais que verbalizar algo, um olhar, uma expressão facial, uma ação de misericórdia, de compaixão...
Como Eugene Peterson coloca de forma interessante: “ A oração nunca é a primeira palavra, é sempre a segunda. Deus diz a primeira”1   Os adultos  oram e as crianças brincam ao redor, ambos oram.
         Jesus sugere de forma clara que as nossas orações perturbam, incomodam a Deus. Há uma passagem no Velho Testamento em que o salmista afirma  que mesmo que a mãe se esqueça de seu bebê que amamenta, - criança quando chora com fome, huuumm!- Ele, todavia, não se esquece dos seus(Is  49.15).
No versículo primeiro  do capitulo dezoito de Lucas, Jesus fala do dever de orar sempre sem jamais desanimar e traz como ilustração a parábola que chamo de ‘A Viúva Perturbadora’.
O Senhor de forma proposital expõe um contraste absurdo. Apresenta uma pessoa do sexo feminino. É sabido que no Oriente há fortes discriminações à mulher, no próprio Israel também.
Entre os povos, chamados pelos judeus de gentios, o desprezo à mulher ainda era muito mais forte. O Cristianismo trouxe o resgate à mulher. A mulher foi duplamente amaldiçoada: primeiro em conseqüência de seu pecado em si e, segundo por ter sido sujeitada a alguém que estava também debaixo de maldição: o homem (Gn 3.15) reparado de forma plena na glorificação.
Além de ser mulher, era viúva. As várias dezenas de orientações no Velho Testamento e também no Novo, para se cuidar das viúvas e dos órfãos, revelam  o problema social grave em decorrência das guerras contínuas e o costume de casar as mulheres muito jovens, com treze ou quatorze anos2. Viúvas eram peso social. (Lm 1.1;  Ex. 22.22; Dt. 24.17; Pv. 23.10, Is 1.17; Tg. 1.27). Mulher, viúva e pobre. Que chance teria diante de um homem, juiz, rico? Características que por si já distanciam um personagem do outro, mas, além desses fatores, ele não temia a Deus e nem respeitava homem algum, quanto mais  uma mulher. Para a viúva ter recorrido a um juiz isso significa que o seu caso envolvia quantia de dinheiro, como uma dívida não quitada ou parte de uma herança3.
Segundo  Robert H. Gundry que escreveu A Survey of the New Testament ( Panorama do Novo Testamento) o rico e influente oponente da viúva conseguira subornar a tal juiz, mas ela era pobre demais para comprar o juiz, sua única arma era a fé tenaz de que lhe seria feita justiça4.
3 e 4.Gundry, Robert H. -  Panorama do Novo Testamento pg. 140

Contudo ela o perturbava, incomodava: ‘Julga a minha causa contra o meu adversário...’ No outro dia, a mesma coisa: ‘julga a minha causa, julga a minha causa...’Com certeza a sua causa era justa, e a sua perseverança foi decisiva. O juiz para se ver livre da perturbação lhe concedeu vitória. Se uma mulher pobre, viúva e desprotegida, consegue vitória perseverando em reivindicar junto a um juiz corrupto, quanto mais Deus em atender seus filhinhos amados? 

Maria Pede Emprego 

Um fato interessante, como o da viúva,  aconteceu na capital da Paraíba, no início dos anos oitenta. Havia uma jovem que resolveu ir ao Palácio do Governo, na Secretaria de Administração do Estado pedir emprego. Ela não  levava carta de recomendação de nenhum político, nem tinha pessoa conhecida na repartição para facilitar a atenção necessária para a  audiência com os responsáveis.
         A primeira pessoa que lhe atendeu foi a secretária do secretário de administração:
-          Vim buscar meu emprego!
Afirmou de forma direta, como se tivesse direito, como se todos soubessem que havia uma vaga para ela. Parecia  entender que era obrigação lhe  darem um emprego. E confiante perguntava:
-          Cadê o meu emprego?
A recepcionista, nos primeiros dias, não a levou a sério e, por vários dias, utilizou todos os argumentos, desculpas e subterfúgios, próprios da função, para fazer com que aquela jovem desistisse de seu intento. Só que, depois de um mês, recebendo a Maria - esse era o seu nome - todas as tardes, não mais agüentando, pediu ao secretário de administração que a recebesse, achando que ele iria despachar de vez a Maria.

         Quando o secretário a recebeu usou dos mesmos expedientes de sua subalterna: - ‘venha amanhã, venha amanhã, venha amanhã...’
Maria não desistia, embora tivesse sido encaminhada para várias secretárias, foi motivo de zombarias, trotes, chacotas, humilhações. Ela não desistiu, ou por não entender o que estavam fazendo com ela ou por estar determinada em seu objetivo que era o de ter seu emprego no Estado.
         Passados seis meses, sem  Maria desistir de “visitar” a Secretária, o secretário  de Administração, em audiência com o governador compartilha do fato inusitado e incômodo. O governador, admirado com tamanha perseverança, autoriza  uma portaria contratando a insistente Maria, para alívio do secretário de administração.
Perturbe a Deus! 

O Pedinte Profissional

         Há quinze anos, quando trabalhava em um banco em João Pessoa, recordo-me de um senhor gordo, pedindo esmola de uma forma diferente. Ele se sentava em uma praça, que tinha uma escadaria, para pedir esmola,embora não fosse o lugar mais estratégico, já que o fluxo de pedestres era mínimo. As pessoas passavam, em maior quantidade, a mais de 10 metros adiante da escadaria. Eu percebi que ele não queria abrir mão da sombra muito boa proporcionada por dois belíssimos ipês amarelos. Então devido à distancia, quando as pessoas passavam por ele falava alto, às vezes gritava, para compensar a distancia:
-          Moça, moça, me dê uma esmola.
      -    Moça. A senhora que está vestida de vermelho. Me dê uma esmola!
Naquela época eu morava no centro da cidade e podia ir a pé para o banco. Como o local, que aquele homem pedia esmola, era passagem obrigatória, pude observá-lo por meses.

Ele era específico e direto. Por várias vezes eu testemunhei a sua forma contundente de pedir. Algumas pessoas viravam o rosto para o lado oposto dele, outros apressavam os passos para ver se passavam desapercebidos, vi várias, pararem e se dirigirem a ele, andando a pequena distância para dar a esmola; outros tiveram que voltar vários metros, devido à insistência, abrirem as bolsas e tirarem uma cédula qualquer. Era, para alguns, impossível não atendê-lo.
         Até que um dia foi comigo:
-          Moço, moço, você que está de camisa azul, com essa gravata bonita. Dê-me uma esmola pelo amor de Deus. Eu também não resisti...
Ele era persuasivo, não deixava transparecer nenhuma dúvida de que  precisava da esmola, que ele contava com a pessoa a quem se dirigia naquela súplica: “Dai-me uma esmola pelo amor de Deus!”
         Poucos anos depois soube que aquele homem era dono de uma vila com dez pequenas casas, o mesmo estava com todas alugadas para “complementar” a sua renda de mendigo profissional.
Perturbe a Deus! Jesus é claro quanto a essa orientação. Ele conclama em Lc. 18.1 acerca do dever de orar sempre sem jamais desistir, trazendo  a parábola da viúva perturbando o juiz. Em Lc. 11.5-13, há também um exemplo de alguém incomodando o outro: Uma pessoa  recebe uma visita de surpresa, já tarde da noite. Como ela não tinha comida suficiente, solicitou a ajuda do vizinho amigo, pedindo pão (Mt. 6.11) para suprir as necessidades  da visita. Jesus afirma que se ela não foi atendida por causa da amizade foi por causa do incômodo de ter alguém,à meia noite batendo em sua porta.
 Perturbe a Deus! 

Conteúdo da Oração: Oração do Desmorone 

Deus nos leva a sério, fale com Ele. Peça e vai receber, procure e vai encontrar, se relacione com Ele, chegue perto, ouse se aproximar. Chore! É certo que o choro de uma criança de colo incomoda muito a mãe(Is. 49.15). Deus te valoriza mais que uma mãe ao seu filho que mama. O que pedir? Qual é o pedido saudável? O que devemos priorizar em nossas petições?
Se o gênio da lâmpada de Aladim viesse em sua presença e lhe dissesse que você teria apenas um pedido para fazer, lembrando que, segundo a lenda, o gênio pode satisfazer a todos pedidos, qual seria o seu? Normalmente nós pedimos o que desejamos, o que sonhamos, para que as nossas necessidades imediatas, sejam materiais, emocionais ou espirituais, sejam atendidas. Não oramos por aquilo que não nos interessa, só intercedemos pelo que nos diz respeito. É maravilhoso como o Senhor trabalha de forma esclarecedora, mesmo, às vezes, sutil. Em Lc. 11.13, Ele orienta: “Se vocês, apesar de serem maus, sabem dar boas coisas aos seus filhos, quanto mais o Pai que está nos céus dará o Espírito Santo a quem o pedir!” Peçamos o Espírito Santo. Peçamos  o fundamental. Quantos pedidos fúteis, vazios, sem sentido. Peçamos transformação de caráter, peçamos o fruto do Espírito (Gl. 5.22,23), peçamos circunstâncias de Deus para sermos forjados no caráter. Peçamos o controle do Espírito para podermos servir da forma certa, adorar com a motivação certa. Não há relacionamento com Deus sem a presença controladora do Espírito Santo, não há igreja saudável sem a ação vivificadora dEle. Estaremos trabalhando mais sobre o Espírito Santo no capítulo “Igreja Saudável  é Controlada Pelo Espírito Santo”
         Como você tem falado com Deus? Tem sido com fé suficiente, com ardor suficiente? Com ousadia ? As palavras proferidas têm vindo das entranhas? Os pedidos são sem dúvida alguma?
         Relacionar-se com Deus é terrível, é também maravilhoso, mas a ênfase ao terrível é seria e real. Eu entendo a tendência e a inclinação que o homem tem para os ídolos. É mais fácil, é troca, toma-lá-dá-cá. Invariavelmente, o ídolo não exige santidade, não há necessidade de submissão, só é pagar o voto, aumentar a oferta-oferenda.
Reduziram  Deus, relativizaram o Deus todo poderoso. Como pode Deus ser idolatrado? Acontece assim: chamam de Deus verdadeiro. Ele parece ter as características próprias do único Deus no que se refere aos atributos incomunicáveis, como onipotência, onipresença, mas é um deus segundo as conveniências de quem o concebe; deus à imagem e semelhança do homem agente e senhor da situação. Reduziram o Deus todo poderoso, a um  deus de conveniências. Já não se pede a Ele, basta só decretar, ou reivindicar.
         Podemos e devemos brigar com Ele, sermos ousados, buscarmos quebrar as nossas próprias resistências, rompendo em fé. Brigar, nessa proposta, não significa rebeldia, nem soberba, não é motivado pela usurpação de “ser filho do Rei” e pretensamente querer trazer à realidade presente o que é escatológico. É insistir como Jacó (Gn. 32.24-32) que  teve seu nome mudado por Deus numa peleja com o próprio Deus. É ter a  ousadia de Moisés pedindo para tirar o seu nome do livro da vida (Ex. 32.32), caso Deus não perdoasse o povo.
É terrível se relacionar com Ele. Ele é ( Is. 6.1-8) “Santo, Santo,Santo”. A Sua presença, a Sua luz, a Sua santidade nos confrontam. Os holofotes do céu, vindos dEle nos revelam. As nossas deformações de alma  são expostas. Os aleijões de caráter, o obscuro, o medo, as dores contidas vêm a tona. É terrível estar na presença de Deus. Por isso orar é tão difícil.
Muitos não ousam mergulhar no relacionamento com Deus, têm medo de conhecê-LO. A relação com Ele implica em se autoconhecer. Muitos fogem de si mesmos e repetem as relações interpessoais que têm com a família, com os amigos, com os colegas de trabalho ou escola. O nível de relação que você tem com as pessoas, as motivações, os interesses, a profundidade às vezes, é diretamente proporcional com o que tem com Deus.
Querer ser  influenciado por Deus é a mais maravilhosa das experiências humanas. Ser amigo de Deus (Ex. 33.11). Tê-lo ao lado. Poder compartilhar, desabafar, sorrir, chorar.
Temos praticado, nos últimos  anos, uma oração, para muitos, ousada. De uma forma objetiva passei a chamá-la de “Oração do Desmorone”:
No inicio dos anos noventa, eu  passava por uma crise sem precedentes. Havia uma frustração em minha alma, uma vontade grande de desistir da fé. A minha percepção em relação a agradar a Deus era baseada, quase que exclusivamente, em obras; tendo que me esforçar para ser perfeito, e nunca errar. Como não conseguia ser perfeito convivia com um grande sentimento de culpa em relação a mim mesmo e ficava muito deprimido.
Por vezes tentei, e  por várias vezes falhei. Na minha mente eu entendia que precisava me esforçar para que Deus me premiasse com unção e dons. Primeiro, me concertava, me consagrava para depois Deus me usar. Correto, não?! Só que, apesar de ter nascido do novo, eu não entendia que quem dá o primeiro passo é Deus, quem santifica, quem restaura, quem levanta é Ele. Claro que meus esforços  eram importantes, mas o mérito não era meu.
Não conseguia entender a graça de forma suficiente para não me martirizar por culpa de não estar “dando conta do recado” numa relação direta com a Maravilhosa Salvação.
Participando de um congresso em que o Pr. Tim Keller foi preletor5, achei muito interessante a experiência que ele viveu com uma de suas ovelhas. Segundo o Pr. Tim, essa irmã chegou bastante abatida para se aconselhar, alegando que estava muito triste e desanimada com a sua fé. Afirmou que não conseguia fazer obras de forma satisfatória para o Senhor Jesus.
Para ela sempre faltava alguma coisa. Por mais que se esforçasse. Ela se sentia culpada. Foi quando o pastor expôs, para a aflita irmã, a verdade de que ela não tinha que fazer nada para ser merecedora da salvação. “A salvação é dom de Deus. Ele já viabilizou de forma perfeita em Cristo Jesus”, afirmou o Pr. Tim, “nada podemos acrescentar com os nossos esforços”, concluiu ele. A irmã depois de ter ouvido essa revelação bíblica transpareceu estar mais aflita ainda e exclamou: “quer dizer que eu não contribuo com nada na obra da cruz a não ser crer?” Ouvindo a afirmativa do pastor, aquela mulher passou a chorar e exclamou: Então é pior ainda, eu não  tenho mérito. Não há contrapartida na relação de salvação com Deus. Somos escravos, o controle é dEle. E agora?
O Pr. Tim Keller concluiu aquele testemunho afirmando que ficou alegre com a descoberta da sincera irmã. Deus tem todo o controle e todo o poder. A nossa posição é de escravos. Não podemos dar nada a Ele sem que ele já não tenha nos dado antes.
Ninguém tem a motivação correta para se aproximar de Deus e fazer a sua vontade sem uma ação determinante do Espírito Santo (Lc 24.49), conseqüentemente, não pode fazer a coisa certa, com a motivação certa.
Nessa realidade, um dia, me coloquei na presença de Deus de uma forma diferente. Admiti pela primeira vez diante dEle que era um derrotado, que não tinha a mínima condição de   fazer jus à obra perfeita da cruz do calvário, que se eu fosse Ele e estivesse se relacionando comigo já tinha desistido de mim; que só não desistia dEle porque não tinha esse direito,  já que eu não pertencia a mim, nem a Satanás, pois entendia que tinha sido comprado por um alto preço.
Porém, fiz-lhe uma proposta. Sabia que Ele era o “Técnico dos técnicos” que se Ele  assumisse ser o técnico de uma equipe como o Íbis – considerado, nos anos oitenta, o pior time de futebol do mundo – ele poderia fazer o melhor. A proposta era: pedi para me tratar, curar, concertar, desentortar. Se preciso, arrancar de mim o que mais amo, o mais precioso. Bradei: “NÃO ME POUPE NADA , NENHUMA CIRCUNSTÂNCIA, PARA QUE EU POSSA SER UM INSTRUMENTO EM TUAS MÃOS. FAÇA DESMORONAR O QUE NÃO TE AGRADA, PROMOVA AS DESILUSÕES NECESSÁRIAS EM MINHA VIDA. EU QUERO TE SERVIR DEUS!”
Oração de entrega absoluta, sem reservas que repito, ainda hoje. Muitas coisas aconteceram desde então. A primeira e mais marcante foi a aproximação com  Sueli - minha esposa -, na época uma irmã atraente, muito bonita e simpática. Achava-a muito séria.
Devido a minha realidade de divorciado – na minha adolescência tive um caso com uma jovem um pouco mais velha do que eu  e, de uma forma precipitada, devido a uma gravidez não esperada,  “juntamos os nossos trapinhos”. Apesar da liberalidade da moça e minha, para não escandalizar totalmente a mãe dela, resolvemos nos casar no civil. Por causa disso fiquei com o estereótipo de divorciado, embora a união não tenha se consolidado em tempo algum.
Jamais imaginaria que a Sueli iria se interessar por mim. Jovem, virgem, crente desde a infância, séria, comprometida com a obra missionária e eu uma pessoa nova convertida, fragilizado emocionalmente depois de uma relação que não deu certo, já pai – já era pai de Mariana, uma obra prima de Deus, presente para a minha vida.
Como toda vez que me encontrava com Sueli sentia aquele famoso friozinho na barriga, passei a orar por ela da seguinte forma: “Senhor promova as circunstâncias necessárias para que eu e a Sueli nos aproximemos, se é de tua vontade que nos casemos, do contrário tira esse sentimento de meu coração. Em nome de Jesus, amém”.
Depois dessa oração passei a me encontrar com Sueli quase que diariamente. Percebi então que ela mudou na forma de me encarar – antes fria e arisca- estava mais carinhosa. Nos casamos um ano e meio depois. Apesar de me sentir atraído por ela, a minha oração era: “ou aproxima-nos ou afasta-nos, conforme a Sua vontade” Já tinha aprendido a orar liberando totalmente a minha vontade. Aprendi com o Senhor a orar de forma confiante o “seja feito a Sua vontade” ( Mt. 6.10)’.
Outro fato importante foi a minha desmotivação em relação à profissão. Estava vivendo um momento de reconhecimento na empresa que trabalhava, quanto aos meus talentos e capacidade profissional, havia uma expectativa de promoção. Com aquela proposta de oração, perdi a alegria de trabalhar ali e, quase sempre perguntava  a Deus sobre se meu tempo não tinha acabado na empresa, se a minha missão não teria sido cumprida. Que Ele me demitisse. Dois anos depois recebi a minha carta de demissão. Lembro-me de que na hora quis entrar em pânico. Estava  casado com Sueli e Daniel - meu único filho homem - era recém nascido, mas lembrei que tinha feito pela última vez aquela oração no dia anterior, depois de mais de um ano sem fazê-la. Deus estava ouvindo a minha oração e aquele momento era um momento de vitória. Como a minha vida, todos os meus sonhos e projetos estavam consagrados ao Senhor. Sabia que Ele tinha para mim, algo melhor, necessariamente, não na minha expectativa limitada, humana, mas com certeza melhor, segundo a Sua infinita sabedoria.
Muitas outras experiências passei: necessidades, fartura, doença, saúde, honras, humilhações, evidências, obscurantismo. Hoje afirmo como Paulo: “Posso todas as coisas naquele que me fortalece”,( Fp. 4.11-13), levando em conta o contexto da passagem que coloca de forma ampla a ação de Deus tratando aqueles que o buscam em espírito e em verdade (Jo. 4.23) e fazem a vontade do Pai ( Mt. 6.10).
Quer Vitória: Ore!
Vitória ou derrota depende do nível de relacionamento com Deus. Orar é preliminarmente relacionar-se.
A vitória, necessariamente, nem sempre é de acordo com os nossos interesses limitados, de humanos com natureza pecaminosa, com motivações egoístas. É vitória na expectativa de Deus, segundo seus referenciais e valores; relacionar-se  de forma plena, em submissão, rendidos aos Seus interesses. Isso traz prosperidade. Não a prosperidade baseada em valores passageiros, fúteis, de consumo carnal, mas prosperidade espiritual, que mexe com a alma, caráter, sentimentos, fortalecendo os valores elevados e eternos. Só esses sentimentos preenchem o espaço determinado por Deus no coração.

Desiluda! 

O relacionar-se com Deus promove fortes desilusões, realidade indispensável para o crescimento espiritual. Ninguém pode nem deve estar iludido servindo a Deus. Ele é a verdade.
Conversando com um pastor amigo desejei a ele, como votos de ano novo, que Deus promovesse todas as desilusões necessárias em sua vida para que pudesse exercer um ministério santo, frutífero e abençoado. O amigo pastor se assustou comigo e exclamou: “misericórdia!” Aí eu falei para ele: “Está bom, quer continuar iludido então? Amém!!. Ele, então, sorriu entendendo a benção que era  a desilusão e replicou: “que venham, sim, as desilusões!”
Orar é ser vitorioso sim, mesmo sendo perseguido, caluniado, preso ( 2Co 11.23-30). Na caminhada de comunhão com Deus se percebe o verdadeiro tesouro, se valoriza o que Deus valoriza. Não se é refém de aparência, de conceitos humanos. A preocupação é com caráter não com reputação. Com o que Deus pensa da gente.
Numa caminhada em que duas pessoas se conhecem, faz-se necessário o diálogo, proximidade. Não se pode conhecer o outro sem intimidade. Nessa proposta um influencia o outro. É inconcebível alguém de oração não ser influenciado por Deus, não assimilar nem ser marcado por suas características. Na intimidade do relacionamento um influencia o outro. Claro que é impossível influenciar Deus, mas é inevitável, na atrelada caminhada  ter as marcas dEle. Se a nossa vida de oração não está presa a piedade, a misericórdia, ao respeito pela vida, por pessoas, sem discriminação, nem acepção, é estéril a nossa vida de oração, é morta, precisamos rever os nossos conceitos.

O Religioso e Seus “Direitos”

 Lc. 18. 9-14       

Depois do Jesus ter dito a parábola da Viúva que venceu “perturbando” Ele trouxe outra ilustração pedagógica que questiona a motivação e o sentimento que precisamos ter no coração, quando estamos em oração?
São novamente dois personagens contrastantes. O primeiro era um religioso fantástico, um fariseu que, na sua percepção acerca de si, em oração, alegou que  não roubava, não era injusto, não adulterava, era homem que jejuava duas vezes por semana , também era dizimista e afirmou que não era pecador como o publicano.
Os fariseus eram rigorosos no que se refere ao zelo pela lei (At 15.5),  à tradição e também (Mc 7.3,5-8; Gl. 1.14) tinham um discurso extremamente moralista (Lc. 18.11, Fp. 3.5,6). Eram fortemente proselitistas. Os grupos que pensam terem a melhor “fórmula” para se relacionarem com Deus tendem a fazer proselitismo: “Somos os melhores, venham e nos sigam!!” (Mt. 23.15).
A questão está na motivação de nossas atitudes em relação a Deus. Porque  jejuo, dou o dizimo, oro, procuro obedecer? A linha farisaica não entendia a graça.
Deus não se impressiona com ninguém. Deus não é refém de nossas obras, choros –chantagens emocionais- da nossa prática religiosa. Ser obediente é obrigação, não motivo de competição; é conseqüência da transformação causada pela ação de Deus na vida do seguidor. As ações de piedade não são para a salvação, mas por causa da salvação. Quem é perfeito o suficiente para chegar se justificando diante do Senhor? Quem deu ao Pai sem que antes não  tenha recebido dEle? ( Mt. 6.11)
Na perspectiva de Deus o maior é o menor e isso desvincula qualquer tipo de escala humana de honra ou destaque, exatamente porque essa escala de valores em Cristo está mais do que invertida: foi abolida. A ordem é outra. Os fariseus amavam serem reconhecidos, os melhores lugares (Mt. 23.7-10). Achavam-se merecedores por causa de suas obras e aparência.
Não sei se o jovem rico apresentado em Lc. 18.18-30  era fariseu, o texto não revela. Ele chegou junto a Jesus provavelmente só para confirmar a sua justiça e inteireza de caráter ou para testar se aquele a quem chamou de “bom mestre” podia honrá-lo com elogios do tipo: “muito bem, você é o bom”. É verdade que a versão escrita por Marcos revela que, após o jovem ter afirmado praticar os mandamentos, Jesus, olhando para ele, o amou (Mc 10.13-16), talvez sensibilizado por sua sinceridade, embora equivocada na motivação, em servir a Deus. “Faltava-lhe uma coisa”, só uma coisa. A nota dele era 9,9, só faltava  1 décimo para ser aprovado por Deus. Para o céu só vão os perfeitos. A salvação é impossível para os homens (Lc. 18.27), mas para Deus tudo é possível até salvar o homem. Ninguém pode obter a vida eterna sem a justificação do Cordeiro; não se pode agradar a Deus sem fé (Hb. 11.6). Fé na graça, na misericórdia, na compaixão, no amor de um Deus que investe em nós, não por sermos bonzinhos, mas porque nos ama com um amor que é fora de qualquer explicação(Jo 3.16).
Não se pode relacionar-se com Deus sem essa consciência. Com Deus não se negocia, não se barganha, a menos que Ele queira, como soberano, provocar isso no homem. DEle é a ultima palavra, Ele está no controle.
“O fariseu orava de si para si mesmo” (v.11). A sua oração não chegava a Deus. Ele, na verdade, estava se admirando: “Como eu sou bom, como eu sou correto, como eu cumpro o dever de casa. Eu sou merecedor”. O fariseu em si mesmo bastava, não precisava mais de renovação,não dependia mais- quanto a sua espiritualidade e santidade- de Deus.
__“Olha como sou perfeito. Mereço os melhores lugares...”
         A oração não subia. Era um homem que estava se admirando,  olhando-se num espelho que foi feito por encomenda para ele mesmo, maquiando os seus defeitos, escondendo a sua podridão.
          Lembro-me de uma experiência que aconteceu comigo, bem no inicio de minha fé, nessa linha de raciocínio. Determinei passar sete dias orando de forma mais intensa e jejuando com o objetivo de receber uma resposta de Deus. Consegui cumprir, todos os dias  os jejuns e intensifiquei as orações. Ao término da campanha me senti satisfeito e totalmente seguro quanto ao inevitável de que Deus iria falar comigo, não importando como, afinal de contas eu fui “correto” na renúncia e o no “sacrifício” em prol de uma maior e melhor comunhão com Deus.
Passaram-se  dois dias e então, na fila do banco – eu era caixa - num dia de pouco movimento, apenas 5 pessoas na fila. Lá estava ela, uma autêntica crente em Jesus. Na época, eu fazia parte de uma igreja muito conservadora na proposta de modelos de roupas para as mulheres e corte de cabelo. Ela não usava franjas nem roupas decotadas muito menos “masculinizadas”. A senhora, de repente, começou a chorar. Colocou uma das mãos nos olhos para, discretamente enxugar as lágrimas. Pensei comigo: o Espírito Santo está incomodando-a para entregar a mensagem e ela está resistindo.
Passei a atender as pessoas que estavam à frente com pressa. O meu coração batia mais rápido. Afinal de contas não é toda hora que Deus fala com a  gente e, além do mais foi depois de uma semana de consagração, houve muito esforço de minha parte.
         Quando chegou a vez dela, tentei disfarçar. Ela continuava chorando. Um choro contido, silencioso. Procurei ser “profissional”. Sabendo que ela iria entregar o “recado” de Deus a qualquer momento. Tentei conter a minha ansiedade ao máximo.
Como o trabalho de autenticação dos documentos já estava chegando ao fim e ela não falava nada, tentei ajudá-la com uma frase: pode entregar o recado, eu creio! Ela olhou para mim com uma cara de estranheza e espanto e perguntou: “O quê?! Como?!” Eu desmoronei. Percebi que fora um lamentável engano. Por sua resposta, discerni  que ela não tinha recado nenhum de Deus e pior nem crente era.
         Tentei disfarçar o meu embaraço. Antes que ela saísse perguntei, intrigado porque ela chorava ainda, se  estava passando mal. A senhora respondeu: “estou com uma cólica terrível”. Mais embaraçado ainda fui à farmácia do banco,  peguei um analgésico e entreguei a ela.
         Senti-me traído por Deus. Deus não podia ter feito aquilo comigo. Senti-me ridículo, humilhado. Como pode? Tanto que me esforcei, era tão sério o meu objetivo. Depois percebi a minha motivação. Estava achando que, pelo fato de ter feito um sacrificiozinho, Deus teria obrigação de me atender. Pensava que orando e jejuando torceria o braço de Deus.

Um Pecador Justificado 

O publicano lá longe, não ousava levantar os olhos. Sabia que era pecador, indigno de estar na presença de Deus. Tinha consciência perfeita de sua condição de miserável, depravado pecador. Entendia que se não se humilhasse não teria a mínima condição de ser ouvido por Deus. Ele precisava de Deus, embora soubesse que as suas práticas o distanciavam dEle. Ele buscava a Deus não se apresentando como merecedor mas como necessitado.
Uma boa ilustração acerca desse tema é a  do O Padre e a Sandália.
Um padre, em uma pequena cidade do interior, compadecido de uma pobre criança ao vê-la andando descalça com os dedos feridos e sujos, comprou uma sandália de borracha para ela. Uma semana depois aquela criança, inexplicavelmente jogou uma pedra na cabeça do padre. Em conseqüência da pedrada a testa do sacerdote católico, ferida, começou a sangra. Sabendo do ocorrido o pai da criança aplicou-lhe uma surra e levou o menino até a casa do padre. Ao chegar lá, falou para o padre, devolvendo a sandália, que o seu filho não era merecedor daquele presente e estava devolvendo o chinelo. O padre, depois de tê-lo ouvido falou: “eu não dei a sandália para a criança porque ela merecia, mas porque ela precisava”.
O publicano, ao contrário do fariseu e do jovem rico, tinha a consciência de que era carente e que não merecia a graça de Deus. A sua súplica era confiando na graça e na misericórdia. Não chegou se justificando. Apresentou-se como culpado. A justificação pela graça foi acionada automaticamente. O mérito, a honra, a glória é de Deus. Ele não divide sua glória com ninguém.
Quer vitória? ore!
         Ore consciente de seu papel, sabendo qual é a sua função. Ore  enxergando-se. Precisamos nos enxergar. A humildade está atrelada ao autoconhecimento. Não podemos nos conhecer sem nos relacionarmos com Deus. Como já afirmamos antes: os holofotes do céu, a santidade de Deus é que revelam as nossas limitações, a Sua pureza revela as nossas deformações.
A confissão promove libertação. Não se confessa o erro que não se enxerga. O alcoólatra, só passa a ser alcoólico quando admite que estar escravo, dependente do álcool e precisa de ajuda. O grupo Alcoólicos Anônimos  tem uma máxima: “Se você bebe o problema é seu. Se você quer deixar de beber o problema é nosso”.
Uma das síndromes de Adão - o não assumir a culpa - é muito forte em nossa realidade cristã. Temos uma grande dificuldade de assumirmos os nossos erros, de confessarmos os nossos pecados. Não se deixa de ser avarento se não se admite que é avarento; não se deixa de ser adúltero se não se admite que é adúltero.
“O arrependimento traz consigo o poder de desmascarar o pecado e conduz-nos à tarefa de denunciá-lo. Confissão é o ato de julgamento da mentira e das trevas e faz do pecador um filho da luz e filho do dia ( 1 Ts 5.5). A confissão também nos liberta do egoísmo e da auto glorificação para uma  participação  na glória de Jesus Cristo”.
Mas como confessar – admitir, que se é pecador -  se não  convivemos em nossas igrejas com a proposta de solidariedade natural como a que encontramos em comunidades terapêuticas como o AA(Alcoólicos Anônimos)? São organizações que procuram reunir pessoas com os mesmos problemas para, juntos chegarem a uma solução. Um cúmplice e solidário ao outro.   

A igreja não tem sido a comunidade terapêutica que deveria ser. Essa é a proposta da igreja bíblica, saudável: levarmos as cargas um dos outros. É importante, na oração, essa perfeita consciência de que somos pecadores.
Claro que o publicano precisava ser transformado. A comparação de Jesus foi proposital. Ele trouxe dois personagens contrastantes: Um religioso o outro extremamente   mundano, discriminado, marginalizado (Lc 18.11; Mt 11.19, 32.32). Os publicanos eram associados a extorsões (Lc 3.13; Lc 19.8). Serviam os odiados romanos. O ponto que o Mestre quis abordar foi a nossa incapacidade de podermos nos aproximar de Deus por méritos próprios. 

 O Modelo de Oração
         A proposta do ‘Pai Nosso’ (Mt 6.9-15) é de um modelo de oração com um conteúdo direcionado  de forma santa com motivações santas.
Antes de Jesus trazer o modelo, Ele expõe algumas orientações em Mt 6.5-8,  para que oremos ao Pai, só ao Pai, concentrado nEle. É para o Pai. Não para se promover.
Numa análise inicial positiva, também porque determinadas conversas que são íntimas, do tipo “roupa suja se lava em casa”, ou mesmo determinadas declarações de amor ao ente querido, não convém se   expor publicamente constantemente. Nessa proposta, há pessoas que se expõem em expressões corporais movidas por fortes emoções e em palavras, de forma excessiva quando estão adorando em público com a melhor das intenções.
Numa análise negativa, temos uma tendência de querermos nos destacar. Isso é carnal e faz parte de nossa natureza decaída. É tentador exibir a nossa religiosidade através da oração a outros. Não é qualquer um que se comunica com Deus, isso pode ser usado para se autopromover.
A motivação dos religiosos hipócritas era exibicionista e competitiva. Quem orava mais bonito e mais contrito? Quem era o mais espiritual? Não era  para Deus, era para o colega concorrente de ministério ou para impressionar a ovelha que assiste à ‘performance’.
A proposta do Mestre é de orar em secreto, sem estar preocupado com audiência, com reconhecimentos do tipo: ‘puxa, como ele é espiritual! Como ora bonito! É só para o Senhor’. A oração deve ser motivada exclusivamente porque é bate-papo com o Senhor, só isso deve satisfazer, preencher, afinal de contas é Deus, O Todo Poderoso, criador de todas as coisas.
A outra orientação está relacionada com a quantidade de palavras e tempo. Deus não se impressiona com palavras bonitas ou demoradas no momento de oração, ao contrário, se a demora e as expressões elaboradas são para impressionar os presentes, ele nem recebe. A questão não é orar muito ou pouco. O ponto é: para quê? com que objetivo?
Repetir palavras não é problema. Repetir da boca para fora, de forma vã, sim. Às vezes, há necessidade, não por Deus, mas por nós de repetirmos petições. Lembremo-nos da viúva importuna ( Lc 18 1-8).
Repetir como os pagãos, numa relação idólatra achando que pelo fato de se estar recitando a ladainha ou o mantra em si, vai ser liberado um poder suficiente para atender as suas necessidades. “Deus, o vosso Pai, sabe do que tendes necessidades, antes que lho peçais” (Mt 6.8).
O ‘Pai nosso’ é uma sugestão de oração com princípios fundamentais para termos uma relação comunicativa com o Criador e Mantenedor de todas as coisas.
         Em nossa reflexão nesse capítulo, colocamos as referências a essa passagem, em vários momentos, de forma proposital, por entendermos que se trata do referencial imprescindível para se viver, se fazer, se relacionar de forma ideal com o Pai. Segundo o Pr. Carlos Queiroz em seu livro  Ser é o Bastante com a oração do Pai nosso “Jesus não queria ensinar uma oração a ser meramente repetida na superficialidade litúrgica. Nem uma forma que, somente decorada e reproduzida traga efeitos mágicos à vida de seus seguidores. Orar, segundo o estilo de Jesus Cristo não se resume a formulação de jargões, fraseados bem construídos, mesmo que elaborados com estilo e fundamento bíblicos e teológicos... Jesus propõe, um relacionamento baseado no amor, confiança, confissão transparência... Com Ele os artifícios não funcionam, porque o Pai nosso que está no céu conhece todas as coisas, inclusive as profundezas da alma, o mundo vasto dos sentimentos humanos.” 7
  
                               Orando

         Reconheço a tua grandeza, beleza e majestade. Louvo a ti por tua santidade.
Coloco os meus sonhos no altar, também meus tesouros, coloco a minha vida, todo o meu ser e meu ter.
Perdoa as minhas ofensas. Quantas vezes tenho que pedir: Senhor, perdoe as minhas ofensas, perdoe as minhas falhas? Como aprendi: perdoe os meus pecados cometidos por pensamentos, palavras e atos. Perdoe, senão eu morro, senão eu fujo de ti. Perdoe, senão eu fracasso, senão eu não suportarei a tua presença, nem terei forças para ti procurar. Pior, vou me esconder de ti.  Sei que sem o teu perdão não tenho comunhão contigo, teu Espírito não me influenciará.
Gostaria tanto que Ele me dominasse por completo - Perdoa-me. Como eu penso em mim Senhor, no meu bem estar, na vantagem que vou conseguir em  servir a ti. Pensamentos como: o que vou ganhar com isso?
Eu preciso do teu perdão. Penso mais em mim, penso mais em ser servido que servir, em ser senhor a ser servo. 
Preciso do teu perdão.  
Lembro-me do apóstolo Paulo, quando ele afirma em Rm 7.15,16 e 18: "Não entendo o que faço. Pois não faço o que desejo, mas o que odeio. E, se faço o que não desejo, admito, a lei é boa.... Sei que nada de bom habita em mim, isto é, em minha carne..."
         Admito: se dependesse de mim, a minha caminhada contigo, eu já teria desistido de minha pessoa. Graças a Deus que não sou eu que julgo, que condeno ou absolvo. Se o Senhor não desiste de mim, quem sou eu para desistir de Ti? 
Quantas vezes o Senhor pode perdoar?
         Sente-se aqui em minha rede, ao meu lado, deixe-me encostar a  cabeça em teu peito, sentir teu cheiro. Envolva teus braços em mim. Preciso de carinho. Daquele olhar que comunica: Vá em frente, não desista!
         Caminhe comigo. Faça-me ter a certeza de que tu estás comigo. Olhe para mim...
1.Peterson, Eugene H, - Um pastor Segundo O Coração de Deus, pg. 42
3 e 4.Gundry, Robert H. -  Panorama do Novo Testamento pg. 140

5. Keller, Tim – Palestra, Congresso Sepal para Pastores e Líderes 
6.Sousa, Ricardo Barbosa – O Caminho do Coração. P. 187
7 Queiroz, Carlos Ser é o Bastante, p. 145 e 156

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