quinta-feira, 19 de abril de 2012

Não Saia de Jerusalém - Sem o Espírito Santo não há obra de Deus - IV

Não Saia de Jerusalém

Lc 24.13-33           

Enxergamos-nos e Crescemos na Crise

Só temos a nossa espiritualidade, santidade, maturidade espiritual provada nas crises. São nas crises que percebemos o nosso nível de tolerância, paciência, capacidade de perdoar e pedir perdão, profundidade no relacionamento com Deus, em quais bases e condições e motivações nos relacionamos com Ele.

É quando a luta financeira se instaura e o medo do amanhã, da perda de status, numa relação direta com o ter.

Quando Deus permite sermos caluniados. Pessoas que se levantam questionando a legitimidade do nosso ministério, ou profissão, numa insinuação que coloca em duvida a honestidade pela qual zelamos muito.

Só sabemos de nosso nível de maturidade quando os nossos tesouros são ameaçados; quando a enfermidade vem e nos faz sentir o cheiro da morte querendo atingir-nos ou a um ente querido. Provocando medos e inseguranças que pode nos fragilizar de forma grave.

Como temos reagido às crises?
Não se mede a espiritualidade de uma pessoa só pelas suas ações, mas principalmente pelas suas reações não premeditadas.           
É natural, na crise, buscar uma forma de escape. A fuga é cogitada sempre que lutas, crises, reveses e dificuldades de sobrevivência ocorrem.

 As guerras são uma das causas que mais provocam êxodos e imigrações, também as grandes crises  econômicas ou problemas climáticos como as secas

A Questão climática foi o argumento mais forte para saída de nordestinos sertanejos para as grandes cidades de outras regiões. O nordestino se espalhou por todo território nacional. São também conhecidos como os judeus brasileiros.

Tivemos vários momentos de intensa migração em decorrência desses ou de outros motivos. No Brasil, principalmente para o sul e sudeste, levas de imigrantes italianos e alemães, no final do século XIX, se estendendo, também, no inicio e até próximo do final da primeira metade do século XX uma grande leva de japoneses todos buscando nas terras brasileiras, melhores condições de vida.

            Nem sempre é negativa a fuga, às vezes é sábio e prudente. No entanto fugir para se ver livre de um processo de Deus, é imprudente, é perigoso. Não se foge das provas de Deus. Para onde formos à prova nos seguirá. Quando Deus tem um propósito de  tratar o caráter, por exemplo, Ele vai mexer com  valores materiais e morais, Ele vai até o fim. Não adianta fugir.

            Temos a tendência natural de querermos desistir dos projetos, de sonhos, de propósitos, mesmo tendo a convicção de que Deus nos levou até ali.

O mecanismo de defesa da alma, por instinto, às vezes dispara o alarme de fuga – “saída pela esquerda!” Como dizia o Leão da Montanha, simpático personagem dos desenhos animados nos anos setenta. Mas, se temos a convicção de que Deus está no processo, seja aonde for, fazendo, não importa o que, não devemos desistir nunca. Se Deus mandou, Ele se responsabiliza; não importa o quanto dói, quando Ele tem um propósito, os resultados, no tempo certo virão à tona e, mais adiante colheremos as bênçãos do processo.

Quando alguém está doente fisicamente e corre risco de vida invariavelmente é encaminhado para se submeter à cirurgia. As pessoas apesar do medo não fogem da mesa cirúrgica.

Deus quer tratar nos proporcionar crescimento espiritual. Para tanto nos levar para um processo de tratamento mais profundo em nosso ser. Por isso  permitirá passarmos por circunstancias, algumas vezes, humilhantes e doloridas, nos privando de determinados confortos, honras, companhias e privilégios que podem ‘estragar” nossa comunhão e crescimento espiritual.

Com certeza Deus quer arrancar, de nosso ser, elementos nocivos à saúde espiritual, à comunhão com Ele.

O tratamento de Deus é vital para o nosso crescimento espiritual. Mas, temos medo. Nos “preservamos” demais. Apesar de sermos novas criatura, de o Espírito Santo habitar em nós, ainda podemos ter sofismas, valores entranhados que impedem a perfeita comunhão com o Senhor (1Co 10.13).

Deixemos Deus tratar. A anestesia que ele usa é perfeita, Ele não deixa passarmos pelo que não podemos suportar.

 A aparente desonra, doenças, carências, com Deus no barco é melhor que o conforto, a honra, a fama, a fartura, a riqueza, a “paz” sem a presença do Senhor.

            É muito importante a convicção de que estamos no centro da Sua vontade. Quando vir o tratamento, o treinamento dEle em nossas vidas, estaremos conscientes de que é necessário passar pelo processo. Essa consciência nos ajuda a vivermos a crise sem cair na tentação de fugir.

            Precisamos assumir as nossas novas vestimentas em Cristo Jesus.


As Novas Vestes em Cristo



            Uma estória nessa proposta:

            Havia um rei que resolveu convidar a todos os súditos a participarem de uma grande festa oferecida em homenagem ao seu filho.

Um mendigo, habitante desse reino, ao ler um dos painéis na rua com o convite, reparou na ultima linha da divulgação, uma observação que informava assim: ‘O traje é de gala’.

Lendo aquilo o pobre homem ficou irado e, num impulso chegou ao palácio real desejando falar com o rei. Contudo, logo na entrada é barrado pelo segurança que perguntou o que ele desejava. De pronto respondeu:

- Falar com o rei.

O segurança sorriu discretamente e disse:

- Falar com o rei é muito difícil. Você agendou?

O pobre homem, em estado de revolta, não respondeu ao guarda. De forma ousada perguntou se o rei tinha duas palavras. O guarda, em tom ameaçador, indagou se ele não tinha amor pela liberdade, foi então que o pobre homem explicou:

- Como o rei podia convidar a todos, independente da posição social, se só poderia entrar com o traje de gala?

            O guarda depois de ouvir aquele questionamento pediu ao homem que aguardasse, pois ele iria ver se conseguia um momento com o rei. Passados alguns minutos. O segurança de volta afirmou:

- Você está com sorte hoje em?!, o  rei resolveu recebe-lo.

            Entrando no palácio aquele homem muito pobre ficou maravilhado e ao mesmo tempo chocado com tanto luxo. Passou por varias portas e subiu algumas escadas chegando à presença do rei, que sorrindo logo perguntou a razão de sua visita.

Depois de o homem ter alegado que gostaria de participar da festa mais não tinha roupas adequadas, o rei prontamente disse:

- Não seja por isso, vamos resolver esse problema. Chamem meu filho.

Alguns segundos após, entra na sala do rei o príncipe. De forma repentina a sala ficou mais iluminada, parecia que a primavera tinha chegado, o cheiro do ambiente se tornou muito agradável. O sorriso do príncipe era de uma beleza e de um brilho incomparável.

            O rei pede ao filho que leve aquele homem para a sala do guarda roupa. Chegando lá com o príncipe, o pobre homem maravilhou-se com a imensidão e beleza do quarto.

            O príncipe, muito simpático, abre a portas do guarda roupa e mostra todas as variedades de tecidos,  cores e modelos das vestes contidas ali.

            O homem estava tonto sem saber o que escolher. O príncipe, então, em seu auxilio, escolhe uma roupa lilás muito elegante.

            Aceitando prontamente a sugestão, ele tirou a roupa velha que estava suja e desgastada e vestiu a nova, mas olhando pra baixo, lembrou de que as roupas duram pouco e seria seguro guardar aquela roupa antiga.

            Ao o ver abaixar-se e pegar a antiga roupa, o príncipe lhe disse que não precisava, pois a roupa nova era indestrutível. Mesmo assim ele insistiu.

No jantar, a noite, as palavras mais freqüentemente pronunciadas, pelos convidados foram: abundancia e fartura.

Havia todos os tipos das melhores comidas conhecidas, contudo o homem que recebeu a bela roupa lilás segurava com uma das mãos a velha roupa e, por isso, não podia desfrutar de todas as iguarias, só comia com uma das mãos.

Um ano depois, o rei e o príncipe andam por uma das ruas da cidade e observam que estava deitada na sarjeta, uma pessoa vestida de lilás. Aproximaram-se e perceberam que se tratava daquele homem. Ele estava com a velha roupa, servindo como travesseiro, na cabeça,mas estava morto.

Deus quer arrancar de você a velha roupa, do velho homem.

Não fuja! Confie! Deixa Ele lhe levar para a sala de cirurgia.

            Em Lucas 24. 13-35 Temos dois discípulos se retirando de Jerusalém exatamente no dia em que o Messias afirmava que iria ressuscitar (Mt 16.21; 17.24; 18.19;27.64; Lc 9.22; Lc 18. 32,33, entre outros).  Estavam indo para Emaús, uma aldeia que era distante 11 km de Jerusalém.

            O que levou aqueles dois homens a saírem de Jerusalém, cidade que o Messias foi sepultado exatamente no dia da ressurreição? Com certeza eles não estavam indo a Emaús com o intuito de fazer alguma coisa relacionada ao Mestre.

A realidade espiritual deles está clara na narrativa de Lucas. Eles não reconheceram o Mestre quando se dirigiu a eles com uma pergunta (Lc 24.16-18). Quando saímos do centro da vontade de deus podemos perder o discernimento de sua presença.

Eles não estavam mais acreditando na messianidade do Mestre mesmo com o testemunho das mulheres referente à ressurreição, apesar de alguns outros discípulos terem confirmado quanto ao tumulo vazio (Lc 24.22-24).

Sem a comunhão com Deus, invariavelmente, tornamo-nos céticos e pessimistas, perdemos a esperança, tendemos a culpar os outros, todos são culpados menos nós.

No ministério é comum encontrarmos líderes transferindo a responsabilidade para os superiores, alegam que eles são os responsáveis pelo eventual fracasso. Falta de apoio, de pastoreio. Todos estão errados menos ele.

É terrível admitir o fracasso, que perdeu, errou, ou se está com medo.

É tentador construir um bom discurso se eximindo de toda e qualquer culpa para poder fugir do processo com a consciência tranqüila.

Podemos concluir com esse texto: quando a crise se instaura e compromete a nossa visão e ou fé é imprescindível à intervenção do senhor Jesus. A Sua ação sabia e soberana, é decisivo para o crente. Precisamos dEle.

Jesus foi ao encontro daqueles dois discípulos para resgatá-los da incredulidade, do desanimo. Ele se aproximou, acompanhou, ensinou, exortou, abriu-lhes os olhos espirituais (Lc 24.15,25-31).

È necessário deixar Jesus totalmente no controle nos momentos de crise. Só Ele pode nos ajudar a perseverar mesmo parecendo estar tudo errado. Os dois homens a caminho de Emaús estavam sobre o impacto de uma aparente derrota. Não é fácil encarar a morte com sobriedade nem discernir vitória com ela presente.

Sem o Espírito Santo não se persevera no lugar e na posição que o Senhor nos colocou.

Ele confronta com os pecadores – Gn. 6.3

Ele convence e reprova – Jo 16.8

Ele encoraja e motiva à Igreja ao crescimento - At.9.31

Ele nos ajuda quando a crise quer nos sufocar – Rm 8.26

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